Pobreza agravada pela pandemia. No Brasil, há mães que não têm sabão para todos os filhos

No Dia da Criança, em plena pandemia de Covid-19, com ajuda da Unicef, a TSF foi conhecer as diferentes realidades dos mais pequenos em diversos países.

No Brasil, há pelo menos 28 mil mortes por Covid-19 confirmadas. Nesta fase, em que nem todos os estados atingiram o pico, a resposta mais imediata da Unicef é contribuir para que se evite a propagação do vírus. Os kits de higiene e limpeza que foram distribuídos já chegaram a 100 mil pessoas dos centros urbanos e favelas.

Florence Bauer admite que as crianças adolescentes são uma das principais preocupações da Unicef Brasil, porque "elas sofrem muito com as consequências das crises". "Com as escolas fechadas, tememos que muitas, dos 35 milhões de crianças que deixaram de ter aulas, percam o vínculo com a aprendizagem."

A saúde também é uma área complicada de gerir. Como representante da Unicef no país, chegam a Florence Bauer os desabafos de muitas mães preocupadas por não terem sabonetes suficientes para que todos os seus filhos possam lavar regularmente as mãos.

"A pobreza vai aumentar no país e a pobreza afeta sempre mais as crianças e isso terá efeitos na saúde. Os serviços estão focados na resposta à Covid-19, e tememos que outras áreas de saúde, como os cuidados pré-natais, se tornem de difícil acesso", afirma Florence Bauer .

A saúde mental nos adolescentes e crianças

As medidas de distanciamento social são necessárias, mas na fase de adolescência a situação pode criar revolta. As consequências da pandemia podem chegar ao nível da saúde mental, explica a representante da Unicef Brasil.

No caso dos adolescentes, a Unicef dá-lhes dicas de como manter uma rotina que inclua a necessidade de aprender algo. No caso das crianças mais pequenas, foi criado o "Sentimentos no Papel", uma atividade que leva as crianças a desabafar o que estão a sentir com o auxílio de um ou dois lápis e de uma folha de papel. Depois, cabe ao adulto interpretar se a criança opta por desenhar um dia de chuva, ou predominam no papel as cores tristes.

"É uma maneira de criarem um diálogo entre as crianças e os cuidadores. Ouvimos uma mãe a admitir que não tinha dado conta de que a filha estava tão triste", sublinha Florence Bauer.

Leia aqui todas as reportagens TSF sobre o Dia da Criança num mundo em pandemia

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