Polícia agravou distúrbios nos protestos raciais de Nova Iorque

A acusação consta num relatório do Departamento de Investigação Interna da cidade mais populosa dos EUA.

A falta de treino e de preparação do Departamento de Polícia de Nova Iorque agravou os distúrbios ocorridos durante os protestos a favor da justiça racial na mais populosa cidade norte-americana, avança um relatório.

Num documento com 111 páginas, o Departamento de Investigação Interna da cidade concluiu que alguns agentes aplicaram a lei com "excesso de força", utilizando "táticas agressivas" e violando a "liberdade de expressão de manifestantes" que saíram às ruas devido à morte do cidadão negro George Floyd, na sequência da ação da polícia de Minneapolis, no estado do Minnesota, em 25 de maio.

"Alguns polícias realizaram ações que são, no mínimo, antiprofissionais ou que, pior, mostram abuso de autoridade e força injustificada", indica o relatório, dando o exemplo de métodos como o "controle desordenado", que aumentam a tensão.

O trabalho do Departamento de Investigação Interna critica a polícia e ainda o 'mayor' de Nova Iorque, o democrata Bill de Blasio, por não terem "estratégia clara para responderem a protestos em grande escala", principalmente no caso em que a polícia é o alvo dos protestos, e "exacerbarem a tensão", em vez de a reduzirem.

Apesar de a maioria das manifestações ser pacífica, o relatório nota que os agentes não fizeram distinção entre manifestantes pacíficos e intervenientes que procuravam a violência.

Durante os protestos, verificaram-se agentes a atacarem manifestantes pacíficos com os punhos ou usando técnicas de estrangulamento e ainda episódios como o de uma viatura a embater em cidadãos.

Mais de duas mil pessoas foram presas entre maio e junho, durante os protestos contra o racismo e a brutalidade policial na cidade.

"O Departamento [de Polícia] caiu em vários erros e omissões que certamente aumentaram a tensão e contribuíram para a perceção de que o departamento, em vez de facilitar, estava a suprimir a primeira emenda [da Constituição dos Estados Unidos], que prevê o direito às liberdades de reunião e expressão", acrescenta o documento.

Na reação ao documento, De Blasio pediu desculpa por "não ter feito melhor".

"É claro que temos que fazer algo diferente e temos que fazer melhor", acrescentou o ?mayor', que vai deixar o cargo em 2021.

Apesar da nota de arrependimento, de Blasio defendeu o desempenho do chefe da Polícia, Dermot F. Shea.

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