Polícia britânica acusa de homicídio condutor de camião com 39 cadáveres

Quatro outros suspeitos foram detidos, um dos quais este domingo, na sequência da investigação da polícia britânica, que se tem deparado com grandes dificuldades na identificação dos corpos.

A polícia britânica acusou este sábado de homicídio o condutor do camião onde foram encontrados 39 corpos no sudeste de Inglaterra na manhã da passada quarta-feira, indicando que o acusado será levado a tribunal na próxima segunda-feira.

Maurice Robinson, de 25 anos, natural de Craigavon, Irlanda do Norte, foi o primeiro de cinco detidos até agora no que aparenta ser o maior caso de tráfico de seres humanos no Reino Unido até ao presente.

Será levado na segunda-feira ao Tribunal de Chelmsford, uma cidade localizada no condado de Essex, leste de Inglaterra, a cerca de 50 quilómetros a nordeste de Londres, indicou a agência Associated Press.

Quatro outros suspeitos foram detidos, um dos quais este domingo, na sequência da investigação da polícia britânica, que se tem deparado com grandes dificuldades na identificação dos corpos.

Enquanto o processo de autópsias prossegue, a embaixada do Vietname em Londres anunciou a criação de uma linha telefónica de emergência destinada a receber eventuais pedidos de informação de familiares de pessoas desaparecidas no país que poderão encontrar-se entre as vítimas.

Várias famílias vietnamitas temem que os seus filhos estejam entre as 39 vítimas do camião encontrado na quarta-feira na zona do parque industrial de Waterglade em Grays, no condado de Essex.

Nguyen Dinh Gia, pai de um vietnamita de 20 anos, revelou este sábado à agência France-Presse que recebeu um telefonema há dias em que lhe revelaram que o seu filho tinha morrido quando tentava chegar ao Reino Unido.

O interlocutor, um desconhecido que falava em vietnamita, pediu perdão a Nguyen Dinh Gia, salientando que "algo inesperado tinha acontecido".

Inicialmente, a polícia britânica anunciou que as 39 vítimas - 31 homens e 8 mulheres - eram chinesas, mas surgiram dúvidas e um porta-voz disse na sexta-feira que a situação poderia mudar devido ao processo de identificação das vítimas.

Nguyen Dinh Luong, de 20 anos, procurava trabalho num salão de beleza e teve de pagar cerca de 12 mil euros pela viagem. Deixou Paris a 21 de outubro cerca das 15h00, dois dias antes da descoberta, segundo informações recebidas pelo pai.

Outra família do centro do Vietname disse também à AFP temer que a sua filha esteja entre as vítimas encontradas no camião. As duas famílias são de Ha Tinh, uma região pobre do Vietname central, da qual muitos migrantes partem. Muitos passam pela Rússia ou China, com passaportes falsos e essa viagem pode custar até 36 mil euros.

A polícia Irlandesa anunciou este sábado mais uma detenção - a quinta até agora - de mais um homem, com cerca de 20 anos, procurado por alegada ligação ao caso. De acordo com a AP, a polícia revelou que o homem, da Irlanda do Norte e detido no porto de Dublin, era procurado pela polícia de Essex (Inglaterra) no âmbito da investigação.

Entre os detidos constam o motorista do camião, e duas outras pessoas - um homem e uma mulher, ambos com 38 anos e residentes em Warrington (noroeste de Inglaterra) - suspeitos de "homicídio" e "conspiração para tráfico de pessoas".

Os 39 corpos foram encontrados na manhã de quinta-feira numa área industrial de Grays, cerca de 30 quilómetros a leste de Londres e foram transferidos para o hospital de Broomfield, na cidade de Chelmsford, para serem autopsiados.

A polícia britânica disse este sábado que a pouca documentação encontrada está a dificultar a identificação das vítimas e estabeleceu contactos com as autoridades vietnamitas que estão também a investigar o caso, depois de nas redes sociais terem surgido informações de que parte das vítimas possa ser natural daquele país.

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