Polícia detém centenas em protesto de mulheres contra Lukashenko na Bielorrússia

Cerca de duas mil mulheres participaram nesta marcha, agitando bandeiras brancas e vermelhas, da oposição.

A polícia de choque bielorrussa deteve este sábado centenas de pessoas, durante uma marcha de mulheres em Minsk contra o presidente Alexander Lukashenko, noticiou a agência France-Presse.

Cerca de duas mil mulheres participaram nesta marcha, agitando bandeiras brancas e vermelhas, da oposição. Antes da manifestação, a líder da oposição Svetlana Tikhanovskaia, que se exilou na Lituânia a seguir às eleições, elogiou as "mulheres corajosas da Bielorrússia", afirmando que se estão a manifestar "apesar de ameaças e pressões constantes".

Entre as mulheres detidas estava Nina Baguinskaya, de 73 anos, uma das ativistas mais conhecidas do movimento de protesto contra Alexander Lukashenko e que acabou por ser libertada.

Algumas pessoas ficaram feridas nos confrontos, tendo de ser atendidas em ambulâncias que se deslocaram ao local.

A oposição tem novos protestos marcados para domingo. A Bielorrússia tem sido palco de várias manifestações desde 09 de agosto, quando Alexander Lukashenko conquistou um sexto mandato presidencial, numas eleições consideradas fraudulentas pela oposição e parte da comunidade internacional.

Nos primeiros dias de protestos, a polícia deteve cerca de 7 mil pessoas e reprimiu centenas de forma musculada, suscitando protestos internacionais e ameaça de sanções.

Os Estados Unidos, a União Europeia e diversos países vizinhos da Bielorrússia rejeitaram a recente vitória eleitoral de Lukashenko e condenaram a repressão policial, exortando Minsk a estabelecer diálogo com a oposição.

Na sexta-feira, o Conselho de Direitos Humanos da Nações Unidas aprovou uma resolução que pede ao Governo da Bielorrússia para pôr fim à violência contra os manifestantes que contestam o resultado das eleições presidenciais.

A resolução, aprovada com 23 votos a favor, dois contra e 22 abstenções, apela às autoridades bielorrussas para "cessarem o uso excessivo da força contra manifestantes pacíficos, incluindo tortura e outros tratamentos cruéis e desumanos", bem como ao fim das detenções arbitrárias por motivos políticos.

Alvo de mais de seis semanas de protestos que exigem a sua renúncia ao cargo, Alexander Lukashenko anunciou na quinta-feira que iria colocar as tropas em alerta máximo e fechar as fronteiras do país com a Polónia e Lituânia.

A decisão de Alexander Lukashenko reforça a repetida mensagem de que a vaga de protestos é impulsionada pelo ocidente, já que enfrenta duras críticas da União Europeia e dos Estados Unidos.

"Somos forçados a (...) colocar o exército em alerta máximo e fechar as fronteiras no oeste, principalmente com a Lituânia e Polónia", afirmou Lukashenko, num fórum oficial de mulheres celebrado em Minsk.

Lukashenko disse ainda que a fronteira da Bielorrússia com a Ucrânia vai ser fortalecida.

"Não quero que o meu país esteja em guerra. Além disso, não quero que a Bielorrússia, Polónia e Lituânia se transformem num teatro de operações militares em que os nossos problemas não serão resolvidos", apontou.

No mesmo fórum, Lukashenko disse que a Bielorrússia não precisa que nenhum país reconheça as suas eleições, em resposta à resolução do Parlamento Europeu, que não aceita os resultados das eleições presidenciais de 09 de agosto, que Lukashenko venceu com 80% dos votos e que deu início a uma vaga de protestos.

Svetlana Tikhanovskaia vai ser recebida na segunda-feira em Bruxelas para uma reunião com os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia.

A opositora anunciou que está a preparar uma lista dos membros das forças de segurança do regime responsáveis pela violência e detenções arbitrárias, com vista a um possível processo no futuro.

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