Polícia francesa evacua dois campos de migrantes perto de Paris

Migrantes viviam em tendas improvisadas.

A polícia francesa anunciou esta quinta-feira o início de uma operação de evacuação de dois campos de migrantes, onde se encontram entre 600 e 1.200 pessoas, no nordeste de Paris. Cerca de 600 agentes policiais começaram, a partir das 06h00 (05h00 em Lisboa), a levar migrantes, que viviam em tendas improvisadas, para autocarros de transporte com destino a centros de acolhimento na região parisiense.

Esta operação, numa escala sem precedentes, surge um dia depois de o ministro do Interior francês, Christophe Castaner, ter assumido "o compromisso" de evacuar os campos no nordeste de Paris "até o final do ano".

"Esta operação foi decidida como parte da implementação do plano" do Governo, declarou o responsável pela polícia de Paris, Didier Lallement, à imprensa.

A polícia francesa anunciou no Twitter, por volta das 9h00 (8h00 em Lisboa), que já terminou a retirada de migrantes dos acampamentos. Ao todo foram retiradas 1606 pessoas numa operação que envolveu perto de 600 agentes da autoridade.

Lallement afirmou que haverá uma presença da polícia diária para impedir a formação de outros campos na área e confirmou que haverá outras remoções no nordeste de Paris "muito em breve". Christophe Castaner explicou que, agora, "cada caso deve ser estudado pessoalmente".

O ministro acrescentou que entre estes migrantes há requerentes de asilo, por isso houve um aumento de locais de acolhimento desde 2015, há outros para as quais o estatuto de refugiado já foi concedido, que receberão uma moradia; e existem aqueles sem documentos que serão expulsos do país.

Segundo a rádio "France Info", a vice-autarca de Paris, Dominique Versini, encarregada pela receção e acompanhamento dos refugiados, disse que cerca de 500 dos mais de mil migrantes que viviam nestes dois campos deixaram o local antes da chegada da polícia.

A polícia quer evitar que aconteça o que já é habitual: estes acampamentos são muitas vezes desmantelados, mas poucos dias depois começam a surgir, de novo, no mesmo local ou próximo. A TSF conversou com Hermano Sanches Ruivo, vereador da câmara municipal de Paris, que visitou estes acampamentos por várias vezes.

"Temos de imaginar o que há de pior. Nos acampamentos é complicado, há os que já estão há muito tempo e os que acabaram de chegar. Há muitas nacionalidades", começar por explicar.

As condições são as de "um bairro de lata", sendo composto por tendas e barracas. "Há a convivência entre públicos cujas fragilidades, embora reais, não são as mesmas."

Hermanos Sanches Ruivo explica que a imigração africana se concentra em encontrar trabalho e arranjar melhores condições de vida, enquanto a que vem do Mediterrâneo está a fugir de guerras e conflitos.

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