Portugal espera que ataque informático à Ucrânia não seja sinal de fim do diálogo

Ana Paula Zacarias destacou que o incidente, "apesar de ser um ataque digital, não deixa de ser um ataque e ter consequências complicadas".

A secretária de Estado dos Assuntos Europeus disse esta sexta-feira esperar que o ciberataque de que a Ucrânia foi alvo não signifique que a Rússia decidiu fechar as portas ao diálogo e "passar ao ataque", pois tal seria "muito problemático".

"Há quem ache que este ataque pode ter sido o primeiro parte dessa versão de que 'não há mais diálogo, passamos ao ataque'. Se assim for, é muito problemático, porque, se assim for, a União Europeia (UE) tem realmente de tomar medidas", comentou Ana Paula Zacarias em declarações à Lusa e RTP em Brest, França, onde hoje representou Portugal numa reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.

A secretária de Estado sublinhou que "ainda há aqui um desejo de abertura e de diálogo, e sobretudo de fazer estes diálogos paralelos e interconectados com a NATO, com os Estados Unidos, com a OSCE [Organização para a Segurança e Cooperação na Europa]", diálogos que possam "permitir chegar a uma boa conclusão".

Mas, destacou Ana Paula Zacarias, por outro lado, que também é necessário manter "esta firmeza de que um ataque em relação à Ucrânia -- e apesar de ser um ataque digital, não deixa de ser um ataque e ter consequências complicadas -- encontrará sempre do lado europeu uma posição bastante forte e sobretudo unida".

De acordo com Ana Paula Zacarias, se a atitude de Moscovo for de facto no sentido das agressões, então a UE tem de "começar a discutir as linhas gerais aprovadas no último Conselho Europeu, em que se dizia que qualquer agressão que venha a ser feita em relação à Ucrânia terá de ser confrontada com medidas bastante duras, bastante graves impostas pelo lado europeu".

A secretária de Estado -- que substituiu em Brest o ministro Augusto Santos Silva, que viajou para Roma para participar nas cerimónias fúnebres do presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli -- reportava-se ao ciberataque da última madrugada contra vários 'sites' governamentais ucranianos, de origem desconhecida, mas que o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, disse hoje não ser difícil de "imaginar" de onde partiram.

À entrada para a sessão de trabalhos desta sexta-feira - que voltou assim a ter na agenda a tensão entre Rússia e Ucrânia -, o Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança condenou o ciberataque de que a Ucrânia foi alvo na última madrugada e disse que a UE vai "mobilizar todos os recursos" para ajudar Kiev perante um ataque que já era temido.

"Infelizmente, já esperávamos que isto pudesse acontecer. Evidentemente, não podemos apontar o dedo a ninguém, pois não temos provas, mas podemos imaginar", declarou.

A Ucrânia indicou hoje que, "até ao momento", não foram constatados danos importantes na sequência do ciberataque, garantindo que as páginas 'online' estarão em breve operacionais.

"Mensagens provocadoras foram publicadas nos 'sites (governamentais ucranianos), mas o conteúdo das páginas não foi modificado nem se verificaram alterações de dados pessoais, de acordo com as informações disponíveis", indicaram os Serviços de Segurança Ucranianos (SBU), num comunicado.

"Uma parte significativa dos meios ('sites') governamentais que foram afetados já foi restabelecida e a parte restante vai ficar acessível em breve", referiu a mesma fonte.

De acordo com os mesmos responsáveis, as autoridades suspenderam os serviços disponíveis em outros portais do Governo para se "evitar a propagação de ataques (informáticos)" e para que seja "localizado o problema".

Também hoje, o chefe da diplomacia russa disse que Moscovo está disponível para discutir questões de segurança com a União Europeia, mas apenas se os Estados Unidos da América (EUA) também estiverem presentes nas conversações.

"Não estamos tão preocupados com quem está nas negociações ou se os EUA estão à frente das negociações, porque depende deles a forma como a política de segurança está a ser construída na Europa", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, numa conferência de imprensa em Moscovo.

Relativamente a um diálogo separado com a UE, como o que está a decorrer agora com os Estados Unidos e a NATO, Lavrov observou que Washington e a Aliança Atlântica devem ser questionados sobre se "permitirão que a UE atue de forma independente".

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