Clay Jenkinson
pandemia

"Portugal não pode dar-se ao luxo de ser ignorante como os Estados Unidos"

Historiador e escritor, Clay Jenkinson dedicou grande parte do seu trabalho à política norte-americana, tendo no currículo obras sobre Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Meriwether Lewis ("Becoming Jefferson's People: Re-Inventing the American Republic in the Twenty-First Century", "Theodore Roosevelt in the Dakota Badlands: An Historical Guide" e "A Free and Hardy Life: Theodore Roosevelt's Sojourn in the American West").

O premiado autor, agraciado com a Medalha Nacional de Humanidades, voltou, no entanto, as suas atenções para a história das pandemias, quando a Covid-19 emergiu enquanto perigo para saúde pública. "Bring Out Your Dead", publicado em junho de 2020, recupera as memórias e os registos do surto de febre-amarela em Filadélfia, em 1793, da gripe espanhola e de outras epidemias.

O mais recente livro do autor - "The Language of Cottonwoods: Essays on the Future of North Dakota" - é publicado esta terça-feira nos Estados Unidos da América. Nesta conversa com a TSF, o historiador da Dakota do Norte partilha a sua visão sobre o que o período da pandemia pode alterar na política norte-americana e na ordem mundial.

O seu trabalho tem sido muito focado na política norte-americana. Por que é que este tema das pandemias também lhe interessou? Vê esta esta epidemia como um ponto de inflexão e de mudança para a política dos EUA?

Talvez. Como sabe, os Estados Unidos encontram-se numa posição muito má, numa paralisia política, e há muita raiva. Este não é um bom momento para os Estados Unidos. Estamos apenas a começar a recuperar dos quatro anos da administração Trump.

Foi algo que afetou o mundo inteiro, e este é o momento em que temos de reconhecer que o Governo é útil, que precisamos do Governo. Desde 1980, com a eleição do Ronald Reagan, os Estados Unidos têm estado convencidos de que o Governo é um problema, de que não serve para nada e de que representa o mal. Mas há momentos em que é absolutamente necessária a mão forte do Governo, e este é um deles.

Talvez a reação à pandemia e ao tumulto económico seja uma mudança da mentalidade das pessoas em relação a isso. Mas acho que os Estados Unidos lidaram muito bem com a pandemia do ponto de vista da industrialização, e muito mal do ponto de vista da saúde e da governação.

Mas a pandemia pode mudar - ou já mudou - as visões políticas dos norte-americanos, sobretudo de quem votou em Donald Trump?

É difícil dizer. Porque o novo Presidente, Joe Biden, é uma pessoa muito mais calma e previdente, muito mais responsável do que Donald Trump. A sensação é muito melhor agora, porque não vivemos num circo diário, como vivemos nos últimos quatro anos, em que todos os dias a população dos Estados Unidos se questionou sobre o que Trump faria em seguida e sobre o embaraço que iríamos sentir perante o mundo. Porque Trump estava a prejudicar-nos de uma forma muito séria.

Agora sabemos que temos um Presidente responsável e tudo está mais calmo, mas não sei se se trata de uma calma temporária ou se fará diferença na vida dos Estados Unidos da América. Espero que faça diferença, mas duvido muito. Penso que os norte-americanos estão muito descontentes neste momento, por nenhuma razão em particular. Mas estão. E a mesma energia que fez com que Trump fosse eleito Presidente continua por cá, e vai tentar arranjar uma outra forma para se expressar.

Estudou a história das pandemias. Tem assistido a um padrão temporal no surgimento de epidemias nos Estados Unidos?

A última grande epidemia mundial foi em 1918, foi há muito tempo. E ninguém esperava esta. Alguns especialistas falaram disso, e sabíamos que não estávamos imunes. Mas outros pensadores, como Yuval Noah Harari, em 'Homo Deus', diziam que as epidemias eram coisa do passado e que não aconteceriam de novo. O nosso conhecimento científico é tão grande, a nossa capacidade industrial é tão potente... Nós compreendemos as doenças de uma forma que não conhecíamos no passado. Temos infraestruturas e instituições robustas para lidar com estas coisas. Mas penso que toda a gente foi profundamente surpreendida pelo que aconteceu. Se pensarmos bem, há pouco mais de 15 meses ninguém previa que a economia mundial chegasse a este ponto, que o tráfego aéreo internacional parasse e que a comunidade científica e médica se visse assoberbada por tantos problemas. Fomos apanhados desprevenidos.

O que esperamos é que, depois disto, estejamos preparados para o que venha no futuro. Escrevia à minha filha, que está na Universidade de Oxford, no Reino Unido, que esperava que isto ficasse por aqui, e que por 50 ou cem anos não viéssemos a ter um novo episódio como este. Mas talvez - e se calhar isto soa irracional - o planeta esteja a requerer a nossa atenção. Talvez a Terra esteja a dizer 'isto tem de parar, não podem continuar a envenenar o ecossistema, a colocar tanta pressão e a aumentar a temperatura do planeta'.

A minha esperança é de que num ano tudo volte ao normal.

Acredita que, apesar das consequências, esta é uma época com algumas vantagens, que se refletem na forma como vivemos a pandemia?

Há algumas vantagens... Aliás, nós estamos a ter esta conversa através do Zoom. Eu nem conhecia essa tecnologia há dois anos. Fez uma grande diferença. As pessoas podem encontrar-se e podem conversar a longas distâncias em conferências e grandes eventos de uma forma que é melhor para o planeta. Isto deu uma oportunidade às pessoas de repensarem e de se fazerem perguntas difíceis sobre os seus hábitos e forma de viver.

No meu caso, reformulou completamente a minha carreira. Foi muito disruptivo, mas também tem sido muito bom. Sinto que beneficiei da pandemia, por isso para mim é fácil falar. Mas há milhões de norte-americanos que quase não conseguem pôr comida na mesa, pagar a renda ou os estudos dos filhos.

Não quero nem posso falar em nome dos Estados Unidos da América, mas penso que este momento é uma oportunidade para nos questionarmos sobre coisas importantes e sobre os nossos comportamentos ao longo destes 30, 40 ou 50 anos. Talvez haja alternativas melhores. Muitas empresas norte-americanas estão a vender os seus escritórios porque pretendem evitar ajuntamentos e querem prolongar o teletrabalho. E provavelmente arrendarão os espaços algumas vezes ao ano quando tiverem mesmo de se reunir.

Por isso, é uma oportunidade, mas não tenho dúvidas de que há milhares de restaurantes que nunca reabrirão, milhares de lojas que fecharam definitivamente, milhares de vidas que nunca serão economicamente iguais.

Onde vive, há uma segurança governamental para limitar o caos. Nos Estados Unidos vinga este conceito da liberdade, por isso não temos segurança adequada para responder às necessidades destes tempos. Espero que disto resultem cuidados de saúde públicos para os norte-americanos, como há em qualquer grande país.

Espero que o que resulte disto seja uma preocupação com proteger todas as pessoas da comunidade, para que todas tenham alimentos, casa e transportes públicos. Espero que os Estados Unidos aprendam essa lição, mas não espero que aprendam essa lição.

Essa mudança exigiria uma reformulação enorme do sistema económico e político liberal dos Estados Unidos...

Bem, eu espero que haja uma mudança. Eu acredito que o planeta está em risco. Não acredito que o planeta esteja a morrer, mas acredito que está sob ameaça. Nós temos de enfrentar isso. À medida que caminhamos para um mundo de inteligência artificial e para uma economia assente na robótica, as pessoas não vão ter emprego. As pessoas com mérito também não vão conseguir um trabalho porque tudo será feito por robôs e vastas redes de dados. O mundo vai ter de enfrentar estas questões. Vamos ter de avançar para um sistema de energia pós-carbónico e vamos ter de fazer coisas radicais para aliviar o planeta.

Os Estados Unidos são o país mais resistente a esta ideia, e, se os Estados Unidos não aderem a estas mudanças radicais que têm de ocorrer, não podemos resolver o problema. Quer gostemos, quer não gostemos, os Estados Unidos continuam a ser o país central no progresso do mundo. Isso é uma bênção e uma maldição, e neste momento é uma maldição porque... Este é o problema, na minha opinião: eu diria que a pessoa média em Portugal tem mais educação e é mais informada, mais consciente do que se passa no mundo, pensa mais claramente do que o cidadão norte-americano médio.

Estamos a 4800 km da Europa, e temos tendência a acreditar que não precisamos de saber nada do resto do mundo. Os norte-americanos sempre acreditaram que este é o melhor país do mundo, e claro que isso não é necessariamente verdade.

Os Estados Unidos encararam a pandemia como encarariam uma guerra?

Não, porque a taxa de letalidade é muito pequena. Mais de três milhões de pessoas morreram no mundo inteiro. Durante a gripe espanhola, em 1918, entre 50 e cem mil pessoas morreram. Foi uma pandemia muito mais catastrófica, e, se compararmos esta pandemia com qualquer uma, praticamente, as outras foram mais catastróficas. Em 1793 houve uma epidemia de febre-amarela em Filadélfia que matou uma em cada dez pessoas. E a peste bubónica em 1448 terá matado um terço dos europeus. Por isso, esta pandemia foi muito menos violenta.

O mundo tem sido muito afortunado, por dois aspetos: esta é uma pandemia mais suave, e a nossa tecnologia médica e a nossa ciência são tão evoluídas que temos conseguido ultrapassar muito mais rapidamente do que o que era possível noutros períodos.

Vejo esta pandemia como um aviso, como um sinal, e temos de levá-lo a sério, porque a próxima pode ser muito mais potente. E precisamos de levar a sério porque fomos apanhados desprevenidos. A comunidade médica não estava realmente alerta para isto. Levámos meses a compreender, e, se esta pandemia fosse mais agressiva, não teríamos tido tempo para acompanhar desta forma.

Não acredito que as coisas mudem o suficiente, mas acredito que, para alguém da idade da minha filha - que tem 26 anos -, este será um ponto marcante na sua vida. Quando ela tiver 75 ou 80 anos, ela dirá que viveu durante a grande pandemia e mudou certas coisas para sempre. Outras nunca recuperaram. Novas indústrias nasceram e novas formas de criatividade foram geradas.

Foi um tempo de medo e de privação, as viagens internacionais foram interrompidas, mas não acredito que será, por exemplo, uma marca tão profunda quanto a da Segunda Guerra Mundial.

O que o surpreendeu mais na forma como a pandemia foi comunicada?

Durante a peste negra e a peste em Londres, nos anos 1660, as pessoas pensavam que se tratava de uma visita de Deus para a realização de um julgamento. Não acredito que muitas pessoas pensem isso agora. As pessoas não sabiam o que eram germes, bactérias e vírus, por isso estavam perdidas e não tinham forma de combatê-los, exceto através dos dois melhores métodos para o fazer: distanciamento social e uso de máscaras.

Vemos aquelas máscaras longas que foram usadas em Florença, na Itália, durante a peste negra. De facto, protegiam as pessoas da troca de fluidos e de aerossóis. O distanciamento social, a quarentena e a separação entre as pessoas que estavam doentes e as que não estavam eram métodos conhecidos no século XIV. Tivemos de os reaprender no século XXI. Nos Estados Unidos, fomos muito maus a aplicar estas estratégias tão simples. São códigos de saúde que existem quase desde sempre...

Mesmo durante a gripe espanhola, de 1918, as pessoas não compreendiam muito bem como é que um vírus funcionava. Hoje sabemos. E penso que o facto mais surpreendente de todos acerca desta pandemia é que num ano vacinas, que são muito eficazes, foram desenvolvidas. Ninguém podia esperar que isso acontecesse em 1340 ou 1665, nem mesmo em 1918. A diferença é: agora nós compreendemos, por isso temos menos medo. E, quando compreendemos, temos menor probabilidade de criar bodes expiatórios, de arranjar grupos para culpar, sejam os judeus, os muçulmanos ou os chineses... Isso geralmente acontece durante uma pandemia.

Se lermos a grande literatura dedicada às pestes, como a obra de Camus - "A Peste" -, os padrões repetem-se. As pessoas tentam sempre culpar alguém. Agora não o podemos fazer porque sabemos realmente muito mais sobre a forma como os vírus operam.

O conhecimento evoluiu, como continuará a evoluir. Não é o que pensa cada geração da humanidade no momento em que vive: que, agora sim, se sabe muito sobre determinado tema?

Eu vivi em Inglaterra durante quatro anos, viajei muito, não posso falar em nome dos europeus. Mas, nos Estados Unidos, somos muito o presente. Nós vivemos o momento e para o momento. Não temos um sentido histórico. Nós olhamos para a História como algo desinteressante, aborrecido e inútil. Nós vivemos para o hoje, no máximo, para o dia seguinte. Somos extremamente impacientes em relação a tudo o que se entrepõe na nossa perseguição da felicidade. Somos militantemente comprometidos com o que podemos tirar de vantajoso para nós, e não temos grande ou particular interesse por mais ninguém, esteja onde estiver.

Este é um aspeto do modernismo, mas é um facto dominante na vida norte-americana. Se colocarmos um mapa da Europa em branco diante da maior parte dos norte-americanos, terão dificuldade em encontrar Portugal.

Além disso, não houve período como este na História do mundo. Nos países de primeiro mundo - em Portugal, em Espanha, na Finlândia, na Grã-Bretanha, no Canadá, na Alemanha -, as pessoas vivem melhor do que qualquer geração que já tenha vivido na Terra. Li no New York Times que a esperança média de vida das pessoas que vivem no primeiro mundo duplicou no século XXI.

Quando o século XXI começou, as pessoas morriam nos seus 50 e 60 e tal anos. Agora as pessoas vivem muitas vezes até depois dos 90 anos. As pessoas têm mais acesso à mobilidade do que alguma vez tiveram, a mais bens materiais do que alguma vez puderam. Este é o melhor período da História do mundo para se estar vivo em termos de felicidade material. Mas não é o melhor período da História do mundo para se estar vivo em termos de felicidade espiritual ou cultural. Nós esquecemo-nos desses aspetos. Estamos tão profundamente comprometidos com conseguir ter coisas, com acumular e estar fisicamente confortáveis, que nos esquecemos de que é realmente a alma, a mente que são o que é importante para a civilização.

Os norte-americanos são especialmente maus nisto. Só sabemos falar uma língua, e assumimos que qualquer pessoa que tenha algo a dizer falará em inglês. Não estudamos História, de todo, e praticamente não fazemos estudos culturais. Vivemos para os nossos dispositivos, para a televisão e para a felicidade diária. O facto de os norte-americanos serem assim faz com que se revoltem imenso com o facto de haver uma pandemia. Nós queremos poder fazer tudo aquilo que nos der na cabeça, e a pandemia encerrou parte da economia, houve confinamentos, as universidades tiveram de adotar o ensino à distância... Os norte-americanos estão zangados com o facto de isto lhes ter acontecido. É por isso que estão a tentar rapidamente fingir que a pandemia acabou.

Então é provável que os Estados Unidos queiram esquecer todas as lições retiradas deste período?

A peste negra, no século XIV, fez emergir o Renascimento. Quando terminou, havia pontes por toda a Europa, havia uma sensação de que tinham sobrevivido e agora a vida seguia em frente. Havia possibilidades. Foi também o momento em que Portugal passou a liderar o mundo nas viagens de circum-navegação. Havia uma espécie de efervescência, um novo nascimento para a cultura. Isso é o que esperava que acontecesse aqui, mas não acredito agora que vá acontecer. Penso que a lição que vamos retirar é de que fomos apanhados completamente desprevenidos.

Nós não estávamos preparados. E pensávamos que estávamos; nós pensávamos que não havia nada com que não conseguíssemos lidar. Que o capitalismo industrial e a ciência eram igualmente fortes e capazes para colocar o Homem na Lua ou construir edifícios megalómanos. Que o ser humano ficaria no controlo de qualquer situação. E descobrimos que não é bem assim.

Fomos sortudos desta vez, mas poderá haver outros cataclismos, movimentos políticos revolucionários, um apogeu do terrorismo ou uma disputa material muito mais forte no mundo. A crise migratória está a atingir toda a Europa e os Estados Unidos. Nos EUA, vemos o problema dos refugiados apenas como imigração ilegal, quando, na verdade, tem de ser visto num contexto muito mais amplo.

Essa forma de encarar os migrantes tem também que ver com a falta de conhecimento histórico dos norte-americanos?

A situação é muito irónica aqui, porque, em 1400, não havia americanos que fossem da Europa. Eu tenho raízes alemãs e inglesas. Todos os americanos agora, exceto os indígenas, têm proveniência de outros lugares. Esta tem sido uma nação de imigrantes.

Portugal não é necessariamente uma nação de imigrantes, nem Espanha ou França, embora haja grandes movimentos de emigração.

Mas os Estados Unidos são compostos por imigrantes, e torna-nos tão hipócritas querer agora bater com a porta às pessoas que vêm para cá exatamente pelos mesmos motivos pelos quais os nossos ancestrais vieram há cem ou 200 anos. Os Estados Unidos não pensam nas coisas com muita profundidade. Não temos uma liderança que nos explique História. Donald Trump não sabe História, mas mesmo uma pessoa como Joe Biden não sabe particularmente de História. Ele sabe a história do seu próprio tempo.

Não temos líderes que tenham uma visão mais prolongada no tempo. Quando vivi em Inglaterra, estava numa casa que tinha sido construída no século XVII. Na Dakota do Norte não há estruturas que tenham sido construídas no século XVII. Os edifícios mais antigos são de 1880. Não compreendemos essa visão de continuidade.

Na minha opinião, vocês, europeus, têm uma visão trágica da vida, e os norte-americanos não. Somos pessoas entusiasmadas que querem estar sempre felizes. Se não estamos felizes, queremos um medicamento ou uma droga que nos faça felizes.

Em Portugal temos a palavra "saudade", uma prova de que olhamos mais para trás...

Exatamente. Os Estados Unidos são tão ricos e tão poderosos, no geral, tão bons, que a nossa ignorância tem passado despercebida sem nos penalizar. Portugal não pode dar-se ao luxo de ser ignorante como os Estados Unidos. Não podem ser ignorantes em Portugal, não podem ser ignorantes as pessoas dos Países Baixos, não podem ser ignorantes na Finlândia, porque têm toda a História europeia a pesar-vos nos ombros. Mas nos Estados Unidos temos sido alegremente ignorantes e temos escapado com isso. A questão é se podemos continuar a ser ignorantes e escapar. Não considero que haja consciência disso, porque tivemos o 11 de setembro, as catástrofes do World Trade Center, em Nova Iorque, e não aprendemos as lições que deveríamos. Agora temos esta pandemia e não acredito que tenhamos aprendido uma lição.

Penso que a perspetiva norte-americana é 'vamos recuperar rapidamente e pôr as coisas a mexer'. É tudo o que queremos. 'Vamos voltar para o mundo que conhecíamos.'

'Vamos esquecer'?

'Vamos esquecer e avançar', exatamente. Isto mudará muitas coisas para muitas pessoas. Novas indústrias que nem sequer imaginamos surgirão. Se olharmos para o que aconteceu depois da gripe espanhola, pelo menos nos Estados Unidos, vemos que vivemos os loucos anos 1920: novas danças, novas formas de literatura, novas correntes filosóficas. Novas instituições sociais nasceram, em parte como resposta à pandemia, e parcialmente devido a um regresso à alegria. Isso pode acontecer. Esperamos que algo assim aconteça, mas, para milhões de pessoas, a forma como vivíamos as nossas vidas acabou. Por exemplo, os artistas da Broadway estão sem atuar há quase dois anos. Tiveram de criar novas formas de garantir o seu sustento e de expressar a sua criatividade. Espero que a pandemia origine uma série de novas formas de arte. Certamente está a mudar a forma como as pessoas trabalham, mas muitas outras pessoas não tiveram a sorte de poder trabalhar em casa.

Esta pandemia expôs o sistema de classes dos Estados Unidos de uma forma muito feia, por vezes.

Este pode ser um grande momento para os Estados Unidos, se escolhermos usá-lo, porque somos muito ricos, e agora estamos no topo no controlo da pandemia. Ainda não atingimos a imunidade de grupo, mas grande parte dos norte-americanos já está vacinada. Fizemos isso com muito mais eficácia do que os nossos países parceiros, por sermos tão desenvolvidos em termos de infraestruturas e porque temos mais poderio económico.

Temos de usar a nossa riqueza para fazer chegar vacinas aos braços de toda a gente: em África, na Ásia, nos países de terceiro mundo. Se os EUA estabelecerem como objetivo vacinar todas as pessoas do mundo às suas custas, a visão que todos os países têm dos Estados Unidos mudará. Os restantes países veem os Estados Unidos com ceticismo depois da era Trump, depois das guerras no Iraque e no Afeganistão. Temos de mostrar ao mundo que podemos ser os EUA que todo o mundo desejaria que nós fôssemos. Se eu fosse o Presidente dos Estados Unidos, comprometer-me-ia a vacinar todas as pessoas do planeta.

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