Portugueses barrados pela África do Sul. Portugal na lista de países de "alto risco"

A África do Sul não vai autorizar a entrada de turistas oriundos de Portugal quando reabrir as suas fronteiras na quinta-feira, por ser um "país de alto risco" de Covid-19.

O ministrodo do Interior sul-africano Aaron Motsoaledi disse, em conferência de imprensa conjunta com outros membros do Executivo, que a restrição à entrada de portugueses na África do Sul vai aplicar-se às "viagens de turismo", estando autorizadas viagens de negócios.

"Visitantes em turismo provenientes do Brasil não serão também permitidos a entrar no país", referiu Motsoaledi.

O ministro do Interior sul-africano sublinhou ainda que os vistos que expiraram durante o confinamento da Covid-19 serão considerados válidos até 31 de janeiro de 2021.

As medidas de restrição serão revistas a cada duas semanas, foi anunciado.

Na lista de 40 países enumerados como sendo de "alto risco" por Pretória contam-se também a Rússia, Suíça, Reino Unido, Holanda, Qatar, Estados Unidos da América, França, Índia, Israel e Venezuela.

As autoridades sul-africanas consideraram a China como país de "baixo risco" devido ao "declínio do número de infeções" de Covid-19.

Anteriormente, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Naledi Pandor, referiu que os turistas de países de alto risco - definidos como sendo aqueles com taxas de infeção ou mortalidade mais altas do que a África do Sul - seriam proibidos de entrar no país.

"À chegada ao país, os visitantes devem apresentar um teste 'PCR' de Covid-19, certificado por uma autoridade médica do país de embarque com menos de 72 horas", salientou.

A governante sul-africana disse ainda que "será também obrigatório apresentar um seguro de viagem que salvaguarde a realização do teste de Covid-19 à chegada, assim como os custos de quarentena, caso necessário".

A chefe da diplomacia sul-africana precisou que "todos os visitantes do continente africano serão autorizados a entrar na África do Sul, desde que apresentem um teste de Covid-19 negativo".

Apenas turistas de países considerados pelas autoridades sul-africanas como sendo de 'médio risco' e 'baixo risco' de Covid-19 serão autorizados a entrar na África do Sul a partir de 01 de outubro, foi anunciado. Todavia, as autoridades não divulgaram a lista desses países.

Três aeroportos internacionais - OR Tambo, em Joanesburgo, King Shaka International, em Durban, e Cape Town International, Cidade do Cabo -, foram identificados como sendo "os únicos portos de entrada autorizados" no país para visitantes estrangeiros.

"Parece-me sem sentido"

Vasco Pinto de Abreu, conselheiro das comunidades portuguesas na África do Sul, considera que estas medidas para Portugal não fazem sentido nenhum.

"Se as pessoas fizessem um teste de 72 horas, como há muitos países que o exigem, poderiam perfeitamente deixá-los entrar na África do Sul para irem visitar os seus familiares e irem fazer turismo. Parece-me sem sentido, o governo tem tomado uma série de medidas sem dar ouvidos a ninguém", explicou à TSF Vasco Pinto de Abreu.

A pandemia está a dificultar muito a vida à comunidade portuguesa, tendo em conta que a economia sul-africana está em grandes dificuldades.

"A situação económica está muito complicada na África do Sul. A comunidade portuguesa está a ser afetada com os negócios fechados, especialmente os que estão ligados ao turismo, restauração e pessoas que organizam viagens. Todo o turismo, na África do Sul, está praticamente destruído", acrescentou o conselheiro.

A África do Sul anunciou esta quarta-feira 903 novos casos de Covid-19 elevando para 672.572 o número de total de infeções no país.

A doença pandémica respiratória, que é provocada pelo novo coronavírus, já causou 16.667 mortos desde 27 de março, segundo as autoridades da saúde sul-africanas.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de um milhão de mortos e mais de 33,7 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.971 pessoas dos 75.542 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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