PP espanhol convoca congresso que vai eleger Alberto Núñez Feijóo como presidente

Os cerca de 400 membros que compõem a Junta Diretiva Nacional decidiram convocar o XX Congresso do partido para ter lugar em Sevilha.

O Partido Popular (PP, direita) espanhol formalizou esta terça-feira a convocatória de um congresso nacional extraordinário em 01 e 02 de abril, em Sevilha, para eleger como novo líder Alberto Núñez Feijóo, atual presidente da região da Galiza.

Reunidos em Madrid, os cerca de 400 membros que compõem a Junta Diretiva Nacional, o órgão mais importante entre congressos, que inclui presidentes de comunidades autónomas, deputados, senadores, eurodeputados e cargos orgânicos, decidiram convocar o XX Congresso do partido para ter lugar em Sevilha (capital da Andaluzia) daqui a um mês, 01 e 02 de abril.

O maior partido da oposição de direita em Espanha decidiu substituir o atual presidente, Pablo Casado, que deixa a liderança após a crise sem precedentes que conduziu ao seu confronto com a presidente da região de Madrid, Isabel Díaz Ayuso.

O ainda presidente do PP, Pablo Casado, desejou no discurso de despedida que fez hoje "sorte" e "sucesso" ao seu sucessor à frente do partido, muito provavelmente Alberto Núñez Feijóo, a quem dará o seu total apoio "com a máxima prudência e discrição".

No seu último discurso como líder do partido, Casado defendeu a construção, a partir de agora, de um "projeto de unidade" que não gaste "um único minuto" a falar de questões internas.

"Desejo sinceramente ao próximo presidente do PP toda a sorte, desejo-lhe todo o sucesso no seu esforço, desejo-lhe todo o sucesso na conquista da lealdade e apoio de que sem dúvida necessitará. O meu será o primeiro, com a máxima prudência e discrição", afirmou.

Na reunião de hoje e nos últimos dias, a grande maioria dos dirigentes do PP já se disseram esperar que Alberto Núñez Feijóo assuma as rédeas do partido.

Mas o presidente da comunidade autonómica da Galiza (norte de Portugal) só deverá confirmar o passo para a política nacional a partir de quarta-feira, dia em que começa o prazo para a apresentação de candidaturas.

Não se pode também excluir que haja mais do que um candidato, uma vez que só é necessário obter o apoio de 100 militantes, mas no PP não se esperam listas com um peso suficiente para enfrentar o galego, depois de Isabel Díaz Ayuso se ter retirado do processo de escolha de um novo líder.

"Vamos ver como podemos ajudar e comprometer-nos com o PP a partir da Galiza", disse Núñez Feijóo no final da reunião de hoje.

Alberto Núñez Feijóo é um político veterano e moderado, de 60 anos, que já conseguiu várias maiorias absolutas na Galiza, região em que conseguiu conter o crescimento da extrema-direita (Vox), no que é visto como uma característica muito importante para se tornar no novo presidente da formação.

A crise de liderança no PP começou há duas semanas, quando a presidente da comunidade autonómica de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, acusou o seu partido, o PP, de tentar destruí-la de forma "cruel", sustentando que Pablo Casado estava a fazer manobras para a desacreditar "pessoal e politicamente" e a tentar ligá-la à corrupção a partir do "anonimato", "sem provas" e envolvendo a sua família.

A liderança nacional do PP estaria a investigar desde outubro passado um contrato de 1,5 milhões de euros relacionado com o irmão da presidente de Madrid, tendo-lhe pedido explicações sobre possíveis irregularidades.

Isabel Díaz Ayuso era até agora uma figura em ascensão no PP, havendo quem especulasse sobre a sua ambição para liderar o partido, depois de ter ganhado as eleições na região de Madrid em maio de 2021 quase com maioria absoluta.

Esta vitória deu ânimo aos populares para tentarem converter-se num movimento capaz de ganhar as eleições nacionais previstas para finais de 2023 e substituir o atual Governo nacional de esquerda, uma coligação entre os socialistas do PSOE e o Unidas Podemos (extrema-esquerda).

Pablo Casado afirmou que lamenta o que fez "mal", mas que também deplora "a reação" que teve de "sofrer", "sem precedentes na democracia" e que nem ele nem, sublinhou, nenhum dos membros do partido merecem.

"Tenho a consciência muito tranquila, cheia de gratidão, sem rancores nem frustrações, vocês permitiram que eu fizesse parte da história de Espanha", disse também Casado, agradecendo aos seus apoiantes por terem permitido estar ao lado de Manuel Fraga, José María Aznar e Mariano Rajoy.

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