PP será "oposição forte, firme e responsável" a Sánchez, mas há acordos à vista

Pablo Casado pediu a Sánchez que não dependa dos independentistas e que não dê força aos nacionalistas.

As reuniões negociais para formar Governo em Espanha começaram esta segunda-feira, com o vencedor das eleições, Pedro Sánchez, a receber o líder do PP.

Pablo Casado garante que não vai abster-se quando for votado, no Parlamento, o novo Governo e admitiu mesmo que está disposto a fazer alguns acordos com o PSOE, embora não tenha adiantado em que áreas o fará. Certo, para já, é que o PP fará oposição ao próximo Governo.

"Saio da reunião com a impressão de que vamos ter uma legislatura com um Governo débil e que encontrará, no PP, uma oposição forte, firme, mas responsável. Não aprofundámos os possíveis pactos mas, o que lhe pedi, é que o Governo não venha a depender dos independentistas. Temos de evitar dar força a partidos que mostraram que preferem beneficiar as pessoas das suas comunidades autónomas, os nacionalistas", defendeu o líder partidário à saída do encontro.

O líder do PP deixou desafios ao outro dos partidos de direita, o Ciudadanos, a abster-se na investidura do próximo Governo.

Por Espanha, a imprensa nota que Casado se referiu ao Governo de Sánchez em termos menos duros do que os que utilizou durante a campanha eleitoral. Sánchez ainda tem encontros marcados com os líderes do Ciudadanos, Albert Rivera, e do Podemos, Pablo Iglesias.

Para que se mantenha no poder, Sánchez pode formar aliança com os separatistas catalães, que nas eleições conseguiram eleger 22 deputados, mais cinco do que na última votação.

Uma aliança com o Podemos e a ERC dar-lhe-ia o controlo sobre uma maioria de 180 deputados, mas os apelos a um novo referendo para a autodeterminação têm sido sempre recusados por Sánchez.

A ERC passou de nove para 15 deputados nestas eleições, consolidando-se como a primeira força da Catalunha, embora o seu líder, Gabriel Rufián, tenha reconhecido que o outro grande partido independentista, Juntos pela Catalunha, é imprescindível "para levar este processo político avante".

Um dos outros cenários políticos possíveis para o PSOE será formar um executivo minoritário, governando com 123 deputados contra os 85 que tinha nos 10 primeiros meses no poder, negociando os apoios necessários caso a caso.

Pedro Sánchez também pode abrir o seu Governo à esquerda radical do Podemos (42 assentos), ficando, em conjunto e com o apoio de pequenos partidos regionais como os nacionalistas do PNV, com 176 deputados.

A terceira hipótese do PSOE é fazer uma coligação com o Cidadãos (direita liberal), considerada a aliança mais simples em termos matemáticos: 180 assentos entre os dois partidos, que já tentaram -- sem sucesso -- aliar-se em 2016.

No entanto, o partido liberal e anti-independentista de Albert Rivera recusou fazer este pacto. Rivera não escondeu a sua ambição de se tornar um dia o primeiro primeiro-ministro de direita, depois de ter passado de 32 para 57 deputados no parlamento.

Analistas políticos espanhóis estão convencidos de que o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, vai esperar até junho, depois das eleições europeias, regionais e municipais de 26 de maio, para explorar as várias soluções para formar um Governo estável em Espanha.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados