Praia, turismo rural e longe das massas: apostas do turismo espanhol para abertura de fronteiras

Os profissionais do setor dizem que o ano "está perdido" mas esperam começar a recuperar a atividade turística entre os dois países nos próximos meses.

Depois de mais de 100 dias de fronteiras fechadas, o setor turístico espanhol dá as boas vindas aos portugueses. Com mais de 60.000 milhões de perdas durante a primavera, o setor espera que o verão ajude a recuperar a atividade e conta com os portugueses para isso.

"O mercado português tem um peso muito importante, não só a nível económico mas também nas relações e vínculos especiais, culturais e sentimentais, que nos unem a Portugal. O fecho das fronteiras provocou um dano muito importante. Parte do negócio ou do movimentos turístico entre Espanha e Portugal vai recuperar-se, mas temo que seja uma parte muito pequena este ano", explica Santiago Aguilar, presidente da Associação Espanhola de Profissionais do Turismo (AEPT).

Pouco a pouco, ao ritmo do desconfinamento, nota-se algum movimento nas reservas de viagens, mas o aumento é ainda muito tímido, fruto da insegurança que os turistas ainda sentem. "Para viajar os turistas precisam de se sentir em segurança. E por agora ainda há muitas dúvidas. Os hotéis, tanto de um lado e do outro da fronteira, estão a fazer o seu melhor para dar segurança aos turistas, mas há muita incerteza", conta.

Para já, o volume de reservas "para o verão e até para outubro" é muito baixo, quando comparado com outros anos. "As reservas fazem-se muito devagar e com pouca antecipação porque não sabemos o que vai ser de nós em agosto e muito menos em outubro", analisa o presidente da AEPT.

Além do número de turistas lusos em Espanha, que em 2019 chegou aos 2,5 milhões, Portugal é um dos lugares com maior presença na carteira de destinos das agências de viagens espanholas. Com a abertura das fronteiras, as praias do Algarve continuam a ser as mais procuradas, mas, no novo contexto, o turismo rural ganha adeptos entre os espanhóis.

"Os turistas espanhóis estão a pedir essencialmente as praias do Algarve, cidades médias e pequenas, e turismo rural. Todo este turismo que foge das grandes massificações que são favoráveis à expansão do vírus", conta Rafael Gallego, da Confederação Espanhola de Agências de Viagens (CEAV).

Na era pós-pandemia, os turistas procuram destinos com pouca gente, com cancelamento gratuito e esperam mais tempo até se decidirem. "Nestes últimos 15 a 20 dias, já se nota um aumento da procura. Mas os turistas esperam mesmo até à última hora para confirmar as viagens por medo a que haja novos surtos que obriguem ao fecho de algumas zonas. E disso não se livra nem Portugal nem Espanha, pode-nos acontecer a todos", explica.

As viagens de carro e de um só dia ganham também adeptos e, neste sentido, cruzar a fronteira ao país do lado é um dos planos mais atrativos este verão. "As deslocações serão perto de casa, principalmente em veículo próprio, em férias de casal ou família. Isto vai favorecer muito, um movimento que já tem muita importância, que é cruzar de um lado ao outro da raia, tanto de portugueses para Espanha como de espanhóis para Portugal", diz Aguilar.

Os dois dirigentes sublinham que as perdas desta primavera são irrecuperáveis. Agora, trata-se de minimizar os danos e de tentar recuperar o movimento já a pensar em 2021. "Este ano já está perdido. Agora estamos a lutar para que não aconteça o mesmo com o ano que vem. Precisamos que se reative toda a maquinaria: os transportes, os hotéis, os restaurantes... Quanto antes conseguirmos normalizar a situação, mais rápido vamos retomar o turismo. A ideia é tentar recuperar a campanha de primavera de 2021", conta Gallego.

Quinze dias depois do fim do estado de alerta, Espanha parece ter a pandemia controlada e os serviços funcionam de maneira plena. Para os que cruzem a fronteira por terra não haverá controlo sanitário, por via aérea e marítima as regras serão mais apertadas: os viajantes são submetidos a um controlo de temperatura e devem preencher um formulário com os dados de contacto, a localização em Espanha e declarar se já foram infetados pelo coronavírus.

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