Presidência Trump deixou democracia dos EUA ao nível do Panamá

Relatório aponta causas como a demissão por Trump de inspetores-gerais, a punição ou despedimento de denunciantes e a tentativa de "controlar ou manipular informações sobre a Covid-19".

Um novo recuo de direitos políticos e liberdades no final da presidência de Donald Trump deixou os Estados Unidos ao nível da Roménia e do Panamá, segundo a Freedom House.

No último ano da presidência Trump, em 2020, os Estados Unidos perderam 3 pontos na classificação do relatório anual "Liberdade no Mundo", divulgado esta quarta-feira, acumulando na última década uma perda de 11 pontos, e assim afastando-se de democracias europeias como a Alemanha e França e aproximando-se de "Estados com instituições democráticas fracas, como a Roménia e Panamá".

Para a nova descida, adianta o centro de investigação norte-americano, contribuíram a demissão por Trump de inspetores-gerais, que "minou a transparência do governo", a punição ou despedimento de denunciantes e a tentativa de "controlar ou manipular informações sobre a Covid-19".

O último ano de Trump na Casa Branca foi também de "protestos em massa que, embora na sua maioria pacíficos, foram acompanhados por casos de grande violência, brutalidade policial e confrontos mortais envolvendo contra-manifestantes ou milícias armadas", além de um "aumento significativo no número de jornalistas presos e agredidos fisicamente" na cobertura de manifestações.

"Finalmente, as tentativas chocantes do presidente cessante de travar a sua derrota eleitoral, culminando no incitamento aos desordeiros que invadiram o Capitólio quando o Congresso se reuniu para confirmar os resultados em janeiro de 2021, colocaram as instituições eleitorais sob forte pressão", refere o relatório.

Para a Freedom House, a crise pós-eleitoral "prejudicou ainda mais a credibilidade dos Estados Unidos no exterior e realçou a ameaça de polarização política e extremismo no país".

A situação, refere Michael J. Abramowitz, presidente da Freedom House, demonstra que "enquanto as democracias são divididas e consumidas por problemas internos, potências autoritárias, especialmente a China, vão avançando os seus interesses em todo o mundo".

Para que a liberdade prevaleça a nível global, os Estados Unidos e seus parceiros devem unir-se e trabalhar juntos para fortalecer a democracia nos seus países e no exterior.

De acordo com a edição deste ano do relatório "Liberdade no Mundo", que classifica a evolução de direitos e liberdades em 195 países, em 2020 registou-se um declínio em 73 destes, em que habita 75% da população mundial.

A percentagem de países definidos como "não livres" - categoria abaixo de "parcialmente livres" e "livres" - é agora a mais alta desde que se inverteu, em 2006, uma tendência de aumento de liberdades e direitos em todo o mundo.

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