Presidenciais em São Tomé. Carlos Vila Nova denuncia "sinais estranhos" nas eleições

Ouvido pela TSF, o candidato mais votado na primeira volta das presidenciais revela que era esperado um número de votos muito superior e fala em "visitas suspeitas" de outras candidaturas à Comissão Eleitoral Nacional.

Apesar da vitória na primeira volta das eleições presidenciais, em São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova afirma que têm existido "sinais estranhos" no processo eleitoral no país.

Carlos Vila Nova, candidato da oposição, apoiado pela Ação Democrática Independente, conseguiu 39,47% dos votos, com uma larga vantagem sobre o segundo classificado, Guilherme Posser da Costa, candidato do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MSLTP-PSD), no poder, que não foi além dos 20,75%.

Em terceiro lugar ficou Delfim Neves, presidente da Assembleia Nacional, apoiado pelo Partido da Convergência Democrática (no poder), com 16,88%, que já anunciou que vai contestar os resultados por "fraude massiva".

Em declarações à TSF, Carlos Vila Nova afirma estar preocupado com situações que envolvem a Comissão Eleitoral Nacional (CEN).

"As nossas informações indicavam outro resultado, até porque, sem contar com os dados do segundo distrito mais populoso do país, a minha candidatura tinha atingido entre 41% e 43%", revela o candidato.

"Estamos preocupados com a forma como a Comissão Eleitoral tem agido neste processo. Já tínhamos alertado para sinais muito estranhos (...) e hoje estamos novamente perante uma situação que é muito estranha", declara.

Carlos Vila Nova lamenta visitas de certas candidaturas à Comissão Eleitoral, que criam uma onda de suspeição.

"Estamos a lidar com pessoas conhecidas, ligadas a um poder que já nos habituou a esse tipo de coisas, só que é lamentável que, enquanto a democracia amadurece e se fortalece, nós assistimos continuamente a pessoas que não percebem e pensam que as práticas antigas são para prevalecer", atira.

"Há pessoas que tentam, a todo o custo, infiltrar-se em instituições - nós sabemos que há visitas frequentes e estranhas à Comissão Eleitoral, há visitas estranhas junto dos observadores, reuniões feitas de forma pouco clara,... Isso levanta situações de dúvida", aponta Carlos Vila Nova. "Criamos aqui uma onda de suspeição grave, que não interessa a ninguém."

As eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe terão agora de seguir para uma segunda volta, para a qual ainda não há data marcada.

Os resultados da primeira volta, que aconteceu no domingo, foram anunciados só na segunda-feira, pelo presidente da CEN, Fernando Maquengo, na sede do organismo na capital são-tomense, numa declaração sem direito a perguntas da imprensa.

Segundo os dados anunciados, a abstenção foi de 32,24%. No total, houve 81.123 votos válidos (97,1%), 631 votos brancos (0,76%) e 1.793 nulos (2,15%).

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