Presidenciais francesas 2022: esquerda "não procura vitória, mas sobreviver"

A dispersão e a falta de antecipação estão na origem de um contexto tremido para os socialistas, que já reconhecem que "os grandes partidos de esquerda não procuram a vitória, mas sobreviver" às Presidenciais.

A faltarem três meses para as eleições presidenciais francesas, a esquerda está mais dividida do que nunca, com seis candidatos. A fragmentação da ala esquerda está a preocupar os presidentes das câmaras que vão ter de escolher um candidato a apoiar, mas neste contexto, tremido, levantam-se interrogações.

"Vou apoiar a candidatura de Anne Hidalgo por uma questão de facilidade, mas com 3% das intenções de voto é preciso reconhecer que a máquina política do PS morreu", explica um presidente da câmara socialista de uma pequena cidade francesa que pediu para não ser identificado e que exprime o que muitos eleitos sentem: "não acreditam numa vitória socialista em 2022".

As palavras são difíceis, muitos falam de "tristeza", "abandono" e denunciam a "irresponsabilidade dos partidos". A dispersão e a falta de antecipação são apontadas por alguns socialistas, que reconhecem que "os grandes partidos de esquerda não procuram a vitória, mas sobreviver" às Presidenciais.

Os eleitores acusam Anne Hidalgo de ser demasiado parisiense, Jean-Luc Mélenchon ambíguo quanto à política externa, Yannick Jadot pouco dinâmico. E Christiane Taubira sem estar à altura de resolver o problema: muitos questionam a possível candidatura da antiga ministra de François Hollande, que reúne 2,5% dos votos, segundo sondagens desta semana da Ifop-Fiducial.

Na ala da esquerda muitos esperam que estas eleições passem rapidamente. Ainda assim, muitos já saíram do Partido Socialista, de forma mais ou menos discreta, para passar para a ala macronista. Políticos emblemáticos como Olivier Klein, presidente da Câmara de Clichy-sous-Bois, na região parisiense.

Na maioria presidenciais d"A República em Marcha, de Emmanuel Macron, o partido Territórios do Progresso, a ala esquerda macronista, mantém contactos com os eleitos regionais de esquerda. O autarca de Dijon, François Rebsamen, antigo ministro de François Hollande, mostrou intenções de se aproximar de Emmanuel Macron.

O Presidente francês não consegue conquistar todos os autarcas socialistas desiludidos com o PS. A maioria mantém os ideias, mas amontoam-se nos escritórios os pedidos de apoio para 2022.

Esta semana fica ainda marcada pelo regresso à campanha da candidata de direita Valérie Pécresse. A candidata d"Os Republicanos aposta nas questões de segurança como indicador forte do partido de direita. Pécresse apresentou a equipa e as propostas de campanha: aumentar meios para as forças de segurança e para a justiça. "É preciso acabar com dez anos de desleixo e de uma cultura de desculpas", escreve Valérie Pécresse no programa presidencial.

A candidata do partido os republicanos tenta afastar-se de Marine Le Pen nas sondagens para se aproximar de Emmanuel Macron. O ministro da economia Bruno Le Maire reconheceu não existirem diferenças entre Emmanuel Macron e Valérie Pécresse.r>
As pequenas frases descuidadas do Presidente quanto às pessoas não vacinadas esta semana no jornal Le Parisien podem ajudar na escolha dos eleitores indecisos de direita. A oposição reagiu às declarações de Emmanuel Macron e perguntaram se "uma pessoa que quer chatear os franceses não vacinados é digna da função presidencial".

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