Presidenciais francesas. "Temos que mudar o nosso olhar quanto à vida política"

A faltarem dois meses das eleições presidenciais francesas, marcadas para dia 10 de abril, a investigadora da Fundação Jean-Jaures, Chloé Morin, publicou esta semana o livro "Temos os políticos que merecemos". Nesta obra, a autora conversou com os candidatos às presidenciais.

"É preciso mudar o nosso olhar quanto à vida política", começa por explicar a politóloga francesa Chloé Morin, autora do ensaio "Temos os políticos que merecemos". Em vésperas de eleições presidenciais, a investigadora alerta os eleitores para que estejam atentos à vida privada e sejam mais exigentes quanto à vida pública dos políticos.

No ensaio "Temos os políticos que merecemos", Chloé Morin entrevistou a maioria dos candidatos às presidenciais, exceto Jean Luc Mélenchon e Éric Zemmour, que recusaram participar.

Chloé Morin estima que a maior parte dos deputados entregam parte do seu tempo sem, por isso, serem mais pagos. Diz não ser contra a transparência financeira, mas defende que os deputados devem prestar contas quanto aos fundos públicos. "Não sou contra a transparência financeira, os deputados devem prestar contas quanto ao dinheiro público. O problema é que hoje pedidos transparência quanto a vida privada, o que perverte o debate público. Vamos debater as férias do ministro X ou Y?", questiona.

"Impomos regras aos nossos deputados e políticos que se estão a tornar cada vez mais difíceis. Os deputados e políticos estão constantemente a ser observados pelos cidadãos e têm que prestar contas, em permanência, mas quando essas exigências passam para a vida privada - ver onde estudam os filhos, que problemas familiares têm, onde vão de férias ... é invasivo e é desmotivador às pessoas que gostariam de entrar no mundo da política", acredita.

A politóloga considera que o debate político não está a altura. Lamenta que as pessoas olhem para os homens políticos e para as investigações publicadas como provas de que são corrompidos, mas, pelo contrário, esta é uma prova de que o sistema funciona e transmite confiança aos eleitores.

"Hoje é extremamente difícil para os políticos serem corrompidos, desviar dinheiro de fundos públicos, e ainda bem que é assim. Olhamos para os políticos e para os casos que vêm à superfície como prova de que (eles) são corrompidos. Pelo contrário, esta é a prova de que o sistema funciona. Hoje o sistema funciona e quando alguém é corrompido, e quando se trata de político, o sistema apanha-os. Isto deveria transmitir-nos confiança, mas olhamos para isto como se o sistema tivesse apodrecido", lamenta.

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