Presidente da Guiné-Bissau convida segundo partido mais votado a indicar primeiro-ministro

O presidente guineense demitiu o primeiro-ministro Aristides Gomes e convidou o Madem G15, segundo partido mais votado, a indicar um nome para chefiar o Governo - em vez de recorrer ao PAIGC, que venceu as eleições.

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, convidou, esta terça-feira, o Movimento para a Alternância Democrática (Madem G15), o segundo partido mais votado nas eleições de março, para indicar um nome para primeiro-ministro depois de ter demitido Aristides Gomes do cargo.

A informação foi avançada aos jornalistas por Ocante da Silva, dirigente do Madem G15, após uma audiência convocada pelo José Mário Vaz e em que participaram ainda o Partido da Renovação Social (PRS) e a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), mas em que não participou o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), o mais votado nas legislativas de 10 de março.

Ausentes estiveram ainda a União para a Mudança (UM) e o Partido da Nova Democracia (PND), ambos com um deputado cada e que integravam a coligação do Governo de Aristides Gomes.

"O Presidente da República convidou os partidos políticos para uma auscultação relativamente à questão da nomeação do novo primeiro-ministro e ouvimo-lo com muita atenção e em seguida formulou um convite ao Madem-G15, que é o chefe de fila da oposição, o segundo maior partido no Parlamento guineense, para lhe propor o nome do futuro primeiro-ministro", disse aos jornalistas Ocante da Silva, dirigente do Madem-G15, depois da audiência com o Presidente José Mário Vaz.

Segundo Ocante da Silva, assistiu-se a uma deslocação da maioria parlamentar, tendo em conta que o PRS, APU-PDGB e o Madem-G15 com os seus deputados constituem uma maioria absoluta na Assembleia Nacional Popular.

"O Madem-G15, sendo o partido que mais deputados tem no conjunto destes partidos, foi convidado a propor o nome do novo primeiro-ministro", afirmou.

O dirigente do PRS Sola N'Quilin disse aos jornalistas que o seu partido, como "responsável", está disponível para participar num Governo, desde que seja para fazer "bem ao povo".

O presidente da APU-PDGB, Nuno Nabiam, disse que o Presidente os consultou sobre a nomeação do nome do novo primeiro-ministro.

"Aconselhámos que se siga aquilo que é da lei. O segundo partido mais votado é o Madem-G15, que em princípio deverá indicar o nome do novo primeiro-ministro", disse.

Questionado pelos jornalistas sobre a posição da APU, que fazia parte da coligação do Governo que foi demitido, Nuno Nabiam disse que vai reunir os órgãos dos partidos. "O país está em cima de nós, queremos que haja estabilidade e que as coisas corram bem", salientou.

União Europeia está preocupada

O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, admite que a situação política instável na Guiné-Bissau está a gerar preocupação em Bruxelas.

"[Olhamos para a situação na Guiné-Bissau] com muitíssima preocupação", reconheceu Augusto Santos Silva.

O ministro refere, no entanto, que a posição do Governo português em relação a este assunto é "inteiramente clara". "O processo eleitoral e o processo de estabilização na Guiné-Bissau têm, no próximo dia 24 de novembro, um momento muito importante, que é a realização da eleição presidencial. Do ponto de vista do Governo português, nada deve impedir a realização das eleições presidenciais na Guiné-Bissau", declarou Santos Silva.

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