Presidente da Turquia opõe-se à entrada de Finlândia e Suécia na NATO

Erdogan disse que não "queria ver uma repetição do erro cometido" contra a Turquia com a entrada da Grécia na NATO.

O Presidente turco manifestou-se esta sexta-feira desfavorável à entrada da Finlândia e da Suécia na NATO, por acolherem militantes curdos que a Turquia considera como terroristas, na primeira voz dissonante no seio dos 30 aliados.

"Estamos a seguir cuidadosamente os desenvolvimentos relativos à Suécia e Finlândia, mas não somos de opinião favorável", disse Recep Tayyip Erdogan aos jornalistas em Istambul, citado pelas agências AFP e AP.

Erdogan disse que não "queria ver uma repetição do erro cometido" contra a Turquia com a entrada da Grécia na NATO, acusando Helsínquia e Estocolmo de "abrigar terroristas do PKK", o Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

"Os países escandinavos, infelizmente, são quase como casas de hóspedes de organizações terroristas", disse Erdogan, citando o PKK, classificado como uma organização terrorista pela Turquia, mas também pela União Europeia (UE) e pelos Estados Unidos.

A reação da Turquia é a primeira voz discordante no seio da NATO sobre a perspetiva da adesão da Finlândia e da Suécia.

Segundo o artigo 10.º do tratado, "as partes podem, por acordo unânime, convidar qualquer outro Estado europeu" a aderir à organização.

A Turquia e a Grécia aderiram à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) em 1952, três anos depois da criação da aliança militar.

Desde o início da crise e da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro, a Turquia tem tentado manter boas relações com os dois países, dos quais a sua economia está estreitamente dependente.

Na sequência da guerra na Ucrânia, a Finlândia e a Suécia iniciaram um debate sobre a adesão à NATO, que, a concretizar-se, significará o abandono da histórica posição de não-alinhamento dos dois países.

As autoridades suecas divulgaram hoje um relatório do Governo e dos partidos sobre a possível adesão, em que são apontadas vantagens para a entrada da Suécia, incluindo para a segurança no norte da Europa.

A Finlândia deverá tornar oficial a sua decisão no domingo, mas o seu Presidente, Sauli Niinistö, e a primeira-ministra, Sanna Marin, já disseram que apoiam a adesão à aliança "sem demora".

Em reação, a Rússia avisou a Finlândia de que será forçada a tomar medidas de retaliação, "tanto técnico-militares como outras", se o país aderir à NATO.

A Rússia partilha 1.340 quilómetros de fronteira terrestre com a Finlândia e uma fronteira marítima com a Suécia. Antes da invasão da Ucrânia, a Rússia exigiu à NATO a proibição da entrada do país vizinho na organização e o recuo de tropas e armamento dos aliados para as posições de 1997, antes do alargamento a leste.

A NATO recusou tais exigências.

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