Presidente do BCE considera "muito improvável" subida das taxas de juro em 2022

Christine Lagarde considerou que no próximo ano ainda não estarão reunidas as condições para essa subida.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, considerou nesta quarta-feira, na sessão solene do 175.º aniversário do Banco de Portugal, em Lisboa, "muito improvável" que estejam reunidas as condições para subir as taxas de juro em 2022.

Falando acerca das três condições que "precisam de ser satisfeitas antes de as taxas começarem a subir", Christine Lagarde considerou que no próximo ano ainda não estarão reunidas as condições para essa subida.

"Apesar da atual subida da inflação, as perspetivas para a inflação no médio prazo permanecem moderadas, e portanto é muito improvável que essas três condições sejam satisfeitas no próximo ano", disse esta quarta-feira na sessão que decorreu no Museu do Dinheiro, em Lisboa.

Falando acerca do programa de emergência de compra de ativos adotado para fazer face à pandemia de Covid-19 (PEPP), Christine Lagarde afirmou que "por agora" o BCE continuará a usá-lo "para salvaguardar as condições de financiamento favoráveis e assegurar que os custos do crédito para todos os setores da economia não apertam indevidamente".

"Um aperto indevido das condições de financiamento não é desejável numa altura em que o poder de compra já está a ser comprimido por maiores contas na energia e nos combustíveis, e representaria um vento contrário sem garantia para a recuperação", afirmou Christine Lagarde.

A presidente da instituição sediada em Frankfurt acrescentou ainda que as medidas de calibração do ritmo de compra de ativos "num mundo pós-pandémico" serão anunciadas em dezembro pelo BCE.

"Mesmo depois do esperado fim da emergência pandémica, será importante que a política monetária -- incluindo a calibração apropriada da compra de ativos -- apoie a recuperação e o regresso sustentado da inflação para o nosso objetivo de 2%", vincou.

Também para depois da pandemia, Christine Lagarde alertou para o risco de que "a transição 'verde' pode causar mais volatilidade nos preços da energia", bem como para a problemática das desigualdades causadas pela transição digital.

Adicionalmente, a antiga diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu ainda para as alterações climáticas.

"Externamente, a pandemia mostrou-nos quão vulneráveis nós somos a disrupções que ameaçam a ordem do comércio mundial. Isto é particularmente verdade para a Europa, sem integração profunda na economia mundial", sustentou.

"As disrupções nas cadeias de oferta podem apenas ser um ensaio para algumas das dificuldades que encontraremos quando os desastres naturais se tornarem mais frequentes", advertiu a responsável máxima do BCE.

Christine Lagarde considerou ainda que o mesmo pode acontecer "se as relações internacionais se tornam mais tensas e as cadeias de oferta comecem a ser influenciadas por enviesamentos geopolíticos".

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