Presidente do México propõe criar na América Latina "algo semelhante" à União Europeia

López Obrador defende "um órgão verdadeiramente autónomo, que não seja lacaio de ninguém, mas mediador, a pedido e por aceitação das partes em conflito".

O Presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, propôs este sábado a criação de "algo semelhante" à União Europeia (UE) na América Latina, durante a abertura da cimeira da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).

"A proposta é, nem mais, nem menos, que construir algo semelhante à União Europeia, mas mais adequado à nossa história, à nossa realidade e às nossas identidades", disse o Presidente, dirigindo-se aos representantes de 33 países presentes na cimeira que decorre na Cidade do México.

A cimeira da CELAC, a que o México preside rotativamente, visa encontrar mecanismos para obter mais vacinas contra a Covid-19 para a região e chegar a um acordo sobre uma posição latino-americana comum sobre esta matéria antes da próxima cimeira do G20.

Na sua intervenção, López Obrador aproveitou para pedir a substituição da Organização dos Estados Americanos (OEA), propondo um novo modelo de integração para a região.

"Nesse espírito, não deve ser descartada a substituição da OEA por um órgão verdadeiramente autónomo, que não seja lacaio de ninguém, mas mediador, a pedido e por aceitação das partes em conflito", explicou o chefe de Estado mexicano.

López Obrador admitiu que esta é "uma questão complexa, que exige uma nova visão política e económica", mas acrescentou que também "é um grande desafio para bons diplomatas e políticos, como os que felizmente existem em todos os países do continente".

"O que aqui se propõe pode parecer uma utopia. Porém, devemos pensar que sem o horizonte de ideais não se pode chegar a nenhum lugar. Vamos manter vivo o sonho de Bolívar", disse o Presidente.

No seu discurso, López Obrador criticou ainda Washington, por "nunca deixar de realizar operações, abertas ou encobertas, contra países independentes localizados a sul do Rio Grande" e denunciou a influência hegemónica da política externa dos Estados Unidos.

Apesar das suas críticas à política externa dos EUA, o Presidente do México pediu aos países latino-americanos "que deixem de lado o dilema de integrar os Estados Unidos ou de se opor defensivamente a eles".

"Vamos iniciar um relacionamento no nosso continente sob a premissa de George Washington, para quem as nações não se devem aproveitar da desgraça de outros povos", concluiu o Presidente mexicano.

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