Presidente do parlamento da Catalunha alvo de espionagem. Foi Madrid?

O telemóvel de Roger Torrent esteve a ser escutado entre abril e maio do ano passado. O politico catalão acusa Madrid mas o governo espanhol diz que nem sabe se o caso é real.

O telemóvel de Roger Torrent foi pirateado com o software de uma empresa israelita que o vende apenas a governos para combaterem o crime organizado e o terrorismo. Segundo o jornal El País, Torrent foi avisado por um investigador que trabalha com o Whatsapp já que o Pegasus se aproveita de uma falha no programa de comunicação.

Depois de instalado, o software, tem acesso a todas as informações que estão no telemóvel e pode ligar a câmara e o som espiando o utilizador em tempo real.

O programa israelita já foi usado muitas vezes de forma ilegal. Um dos casos foi o de Jeff Bezos, dono da Amazon. Outro caso foi o da Arábia Saudita, que usou o Pegasus, para saber os passos e pensamentos do jornalista Jamal Khashoggi que acabou por ser assassinado.

No caso da 2ª figura politica da região autónoma da Catalunha, Roger Torrent não tem grande duvidas de que foi espiado por Madrid por causa do processo independentista.

No período em que o telemóvel esteve a ser espiado, Torrent participou em dezenas de reuniões politicas e foi testemunha perante o tribunal que julgou os lideres independentistas.

O presidente do parlamento assume que, na altura, estranhou algumas coisas como o desaparecimento de mensagens e do histórico de conversas no Whatsapp.

Roger Torrent diz que é impensável um governo num estado de direito democrático espiar dissidentes políticos. Fica ainda revoltado quando pensa nos milhões de euros que o estado gastou para comprar o software.

Os jornais El País e o The Guardian, que deram a conhecer este caso, contactaram diversas instituições espanholas para saber se foram responsáveis pelo caso.

O centro nacional de informações respondeu dizendo que atua em total conformidade com o sistema jurídico e com absoluto respeito pelas leis aplicáveis. O CNI lembra ainda que todo o trabalho que faz é supervisionado pelo Supremo Tribunal.

A resposta do governo foi no mesmo sentido adiantando não ter provas de que o telemóvel do presidente do parlamento catalão tenha sido alvo de um ataque informático.

O gabinete do primeiro-ministro realçou ainda que o executivo tem de declarar qualquer operação envolvendo telemóveis e essas ações precisam de uma autorização judicial.

Quanto à empresa israelita já foi processada por várias vezes mas defende-se garantindo que só vende o software a governos, depois a forma como o usam já não é responsabilidade dos vendedores. Neste caso, em concreto, a NSO Group recusou-se a dizer se entre a lista de clientes tem o governo espanhol.

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