Presidente do parlamento são-tomense pede paz para "grandes reformas" necessárias

Delfim Neves contestou os resultados da primeira volta, realizada em 18 de julho, denunciando "uma fraude maciça", o que criou um impasse no Tribunal Constitucional e o consequente atraso do processo eleitoral.

O presidente da Assembleia Nacional são-tomense, Delfim Neves, identificou este domingo a paz e estabilidade política como essenciais para o desenvolvimento das "grandes reformas de que o país carece" e pediu compreensão e diálogo em vez de "tensões fraturantes".

"O tempo reclama e intima que nos concentramos no presente e no futuro deste povo, deste país, desta nação, primando pela paz, tranquilidade, coesão social, unidade nacional e coesão familiar, tendo sempre em linha de conta que de facto o que pode e deve nos unir é muito mais importante e decisivo do que aquilo que nos tem vindo a separar", afirmou Delfim Neves, intervindo na cerimónia de posse do novo Presidente da República de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, que decorreu esta manhã na sede do parlamento.

Para tal, continuou, é preciso "eleger a paz e estabilidade política como mecanismos facilitadores e fundamentais para a implementação das grandes reformas de que o país carece, as quais se indicam como desígnios nacionais -- o resgate, entre outros, da cultura do trabalho, da unidade, da diversidade, da solidariedade e do civismo e também da disciplina".

"É necessário e este é o momento privilegiado para o fazer, de nos elevarmos acima das quezílias e querelas estéreis e paralisantes, substituindo as tensões fraturantes pela procura de mútua compreensão, as crispações pelo diálogo, ainda que divergente, tendo em vista um clima de concórdia e de apaziguamento dos espíritos e das vontades", salientou Delfim Neves, que também concorreu às eleições presidenciais, tendo ficado em terceiro lugar.

Delfim Neves contestou os resultados da primeira volta, realizada em 18 de julho, denunciando "uma fraude maciça", o que criou um impasse no Tribunal Constitucional e o consequente atraso do processo eleitoral, com a segunda volta a realizar-se em 05 de setembro, quase um mês após o previsto.

No seu discurso na cerimónia de hoje, Delfim Neves ressalvou também que "é necessário sublinhar que o contraditório é intrínseco à vivência democrática" e que, "quando exercido com civilidade e boa-fé, deve ser ativamente estimulado".

Dirigindo-se ao recém-empossado Presidente, felicitou Carlos Vila Nova pela sua eleição, mostrando-se convicto de que irá "contribuir na busca de soluções para os enormes desafios e as múltiplas dificuldades com que o país se vê confrontado, agravadas pelo impacto da pandemia de covid-19 sobre um país tão vulnerável como é São Tomé e Príncipe".

Delfim Neves deixou ainda uma "garantia da indefetível solidariedade institucional" entre a Assembleia Nacional e a Presidência da República.

O presidente do parlamento elogiou o Presidente cessante, Evaristo Carvalho, que cumpriu apenas um mandato, "pelo persistente esforço na eleição do diálogo como meio para assegurar a governação do país, tornando-a estável e duradoura".

Aos são-tomenses, pediu que não percam "a fé" no "desenvolvimento do país" e na "irrefutável capacidade" do povo de "vencer as crises e progredir em direção a um futuro no qual todos se possam vir a orgulhar".

Carlos Vila Nova, 62 anos, foi hoje empossado como quinto Presidente de São Tomé e Príncipe, após ter vencido as eleições com o apoio do partido Ação Democrática Independente (ADI, oposição), com 57,54% dos votos, derrotando Guilherme Posser da Costa, apoiado pela atual maioria parlamentar MLSTP-PSD/PCD/MDFM/UDD, que suporta o executivo chefiado por Jorge Bom Jesus.

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