Presidente iraniano rejeita negociações com EUA sobre acordo núclear

Hassan Rohani ameaçou reduzir ainda mais os seus compromissos em matéria nuclear "nos próximos dias".

O Presidente iraniano rejeitou esta terça-feira manter negociações bilaterais com os Estados Unidos e disse que, caso Washington levante as sanções, apenas aceita um diálogo multilateral com os países que assinaram o acordo nuclear com Teerão em 2015.

"Dissemos isso repetidamente e repetimos: não temos intenção de ter conversações bilaterais com os Estados Unidos. Nunca o fizemos e nunca faremos", disse Hassan Rohani perante o Parlamento iraniano.

Rohani disse ainda que os EUA nunca responderam aos apelos a essas negociações, quebrando claramente o que foi anunciado pelo Presidente francês Emmanuel Macron, na cimeira do G7, sobre uma possível reunião entre os líderes do Irão e dos EUA.

No final de agosto, Macron e o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, admitiram a possibilidade de um encontro entre o Presidente dos EUA e Rohani à margem da assembleia geral da ONU, que decorre este mês em Nova Iorque.

Rohani ameaçou ainda reduzir ainda mais os seus compromissos em matéria nuclear "nos próximos dias" se até quinta-feira as negociações com os países europeus envolvidos no acordo nuclear não alcançarem resultados.

Assinado entre o Irão e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China), mais a Alemanha, o acordo previa o levantamento de sanções internacionais em troca de limitações e maior vigilância do programa nuclear iraniano.

Em maio de 2018, Washington anunciou a retirada unilateral do acordo e o restabelecimento de sanções que têm devastado a economia iraniana, sem que os restantes signatários tenham conseguido ajudar Teerão a contornar tais obstáculos e a beneficiar do pacto como esperava.

Um ano após o anúncio da decisão norte-americana, o Irão declarou que não se sente obrigado a continuar a respeitar dois dos seus compromissos no pacto, os limites das reservas de urânio pouco enriquecido e de água pesada, e em julho disse que deixaria de respeitar as restrições sobre o grau de enriquecimento de urânio. As negociações estão a ser atualmente realizadas com os três países europeus que assinaram o acordo.

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) indicou na sexta-feira que o Irão continua a violar as limitações determinadas pelo acordo nuclear de 2015 com as grandes potências. Num relatório trimestral distribuído aos Estados membros, a AIEA, que fiscaliza a aplicação do acordo, refere que as reservas iranianas de urânio pouco enriquecido atingiam a 19 de agosto os 357 quilogramas, ou seja, 57 quilogramas acima do limite previsto no Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA na sigla inglesa da designação do acordo).

Adianta que o Irão continua a enriquecer urânio acima dos 3,67% graus, como estabelece o pacto, e que atualmente o nível de enriquecimento atinge os 4,5%.

Os incumprimentos foram anunciados pelo Irão e confirmados pela AIEA no mês passado e visam pressionar os signatários que se mantêm no acordo após a saída unilateral dos Estados Unidos a ajudarem o Irão a contornar as consequentes sanções norte-americanas. Segundo o relatório da AIEA, o Irão tem continuado a permitir que os inspetores da agência da ONU fiscalizem as suas instalações nucleares.

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