Primeiro avião português a visitar Timor-Leste desde 2012 deixou Dili

Este ano a pandemia da covid-19 tem levado a empresa a realizar várias operações de transporte de carga sanitária e muitas para transporte de passageiros que regressam a Portugal ou aos seus países.

Um avião português aterrou esta sexta-feira pela primeira vez em oito anos no Aeroporto de Díli, numa operação para transportar para Lisboa de mais de 200 portugueses e que durante toda a manhã dominou as atenções nas redes sociais no país.

O avião - um Boeing 767-300ER da EuroAtlântico, com o código MMZ YU362 e que partiu da capital portuguesa na tarde de quinta-feira - aterrou em Díli cerca das 07h20 locais de sábado (23h20 de sexta-feira, hora de Lisboa).

Um voo especial, forçado pelas circunstâncias da pandemia da covid-19, e que dominou as atenções em Díli, com vídeos da aterragem e da partida, de vários ângulos, e relatos do ruído dos motores, a espalharem-se pelas redes sociais.

Entre os milhares de comentários aos vídeos duas tónicas dominantes, tanto entre timorenses como entre portugueses: os votos de boa viagem e os agradecimentos tanto a quem parte, mas também às centenas que ficam.

Inicialmente previsto para professores portugueses que manifestaram vontade de regressar a Portugal - as aulas estão interrompidas em Timor-Leste pelo menos até final do estado de emergência - o voo acabou por partir com alguns lugares vazios.

De uma lista inicial de 217 passageiros (com assinaturas em 113 compromissos de reembolso dos 1.300 euros do custo da viagem aos Estado português), acabaram por embarcar apenas 211: 198 adultos, 12 crianças e um bebé.

Rita Remédios, que está a trabalhar em Díli, optou por regressar, ainda que admita que a decisão foi difícil, porque sai com a filha, mas deixa o companheiro em Timor-Leste.

"Foi muito difícil tomar a decisão, especialmente porque o meu parceiro fica. Eu vou com a Diana, a nossa bebé. Vou pela bebé principalmente", disse à Lusa, explicando que à chegada estará em quarentena, como é exigido, e que estará em teletrabalho

Gonçalo Lousada - professor de matemática e um dos 48 docentes da Escola Portuguesa de Díli que decidiu partir -- explicou à Lusa que decidiu aproveitar a oportunidade, mas que quer voltar rapidamente a Timor-Leste.

"Tenho para mim que a 15 de maio estou de volta. E vou trabalhar à distância", disse, recordando o "ano complicado" da escola que está ainda a recuperar da destruição das cheias do mês passado e agora a braços com a pandemia da covid-19.

Ao comando do avião está o capitão Mário Alvim, um dos pilotos mais experientes da EuroAtlântico - em 2008 e em 2012 trouxe militares portugueses para Díli -, e que já realizou inúmeras operações deste tipo incluindo no Japão, na sequência do sismo e tsunami de 2011.

Este ano a pandemia da covid-19 tem levado a empresa a realizar várias operações de transporte de carga sanitária e muitas para transporte de passageiros que regressam a Portugal ou aos seus países.

"Infelizmente sim, temos estado em vários países em operações como esta", explicou.

A chegada a Díli, hoje, não podia ter sido melhor, com sol e a pista de 1.8849 metros seca, permitindo uma aterragem e, depois, uma descolagem sem quaisquer problemas.

"Estamos habituados. Operamos na pista de São Tomé que é um bocadinho maior que esta. Este avião tem uma performance excelente para este tipo de operação. Somos uma empresa que vamos a todo lado e estamos habituados a fazer estas operações", contou Mário Alvim à Lusa.

"São muitos anos de operação e o Boeing 767 é fantástico para este tipo de operação, para pistas custas e vamos sair daqui para a Tailândia sem problema", explicou.

O voo MMZ YU362, que é esperado na noite de hoje, hora local, em Lisboa, vai fazer uma paragem na Tailândia, para abastecimento e catering e onde está a descansar uma tripulação, que substituirá a liderada por Mário Alvim no regresso a Lisboa.

Se o vento permitir o voo entre a Tailândia e Lisboa será direto, caso contrário haverá ainda uma paragem técnica na Geórgia para abastecimento, explicou.

José Pedro Machado Vieira, embaixador de Portugal em Díli, explicou à Lusa que se tratou de uma "operação complexa", com difíceis negociações devido às muitas restrições e espaços aéreos fechados, como medidas de resposta à pandemia da covid-19.

O diplomata destacou a "preparação intensa" do voo e sublinhou a "grande colaboração das autoridades timorenses" permitindo atingir os objetivos pretendidos: ajudar mais de duas centenas de portugueses, que assim o solicitaram, a regressar a Portugal.

"Tirámos várias dúvidas, mas num caso destes, a grande maioria compreende que vai ter que participar nos custos de um voo destes que é muito dispendioso", explicou, questionado sobre algumas dúvidas relativas ao preço da viagem.

"Entre a comunidade portuguesa em geral há um sentimento de tranquilidade, de calma e o que é facto só 200 portugueses vão agora. A grande maioria fica", notou.

O voo MMZ YU362, que é esperado na noite de hoje, hora local, em Lisboa, vai fazer uma paragem na Tailândia, para abastecimento e catering e onde está a descansar uma tripulação, que substituirá a liderada por Mário Alvim no regresso a Lisboa.

Menos de duas horas depois de aterrar em Díli, o avião partiu, ao som de palmas e 'Graças a Deus', de muitos dos funcionários aeroportuários e responsáveis dos serviços de aviação timorenses, grande parte dos quais nunca tinha visto um aparelho desta dimensão aterrar em Díli.

Uma operação que acabou por resolver as dúvidas que se multiplicaram pelos debates nas redes sociais debates sobre a capacidade de aterragem de um Boeing 767 numa pista que há muito se debate deve ser alargada.

Mas onde 'cabem' os Boeing 767, especialmente em mãos experientes.

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