"Vkousno i totchka" : o primeiro "McDonald's russo" abriu portas em Moscovo

Na segunda-feira, devem abrir outros 50 restaurantes da nova cadeia. O objetivo é reabrir entre 50 e 100 restaurantes por semana em toda a Rússia.

O primeiro "McDonald's russo" abriu portas este domingo em Moscovo sob o slogan "o nome muda, o amor permanece", sucedendo à cadeia de fast food norte-americana, que deixou o país devido à invasão russa na Ucrânia.

Segundo adianta a agência AFP, "Vkousno i totchka" (Delicioso. Ponto) é o novo letreiro que surge diante do "McDonald´s russo" em Moscovo, onde compareceram uma centena de jornalistas russos e estrangeiros.

O novo logótipo representa duas batatas fritas laranja estilizadas e um ponto vermelho num fundo verde.

"Vamos tentar fazer tudo para que os nossos clientes não notem qualquer diferença, nem a nível de ambiente, nem de sabor, nem de qualidade", assegurou o diretor-geral da cadeia russa de fast food, Oleg Paroïev.

"Não vai ser pior, com certeza. Vamos tentar melhorar" face ao que era antes, acrescentou, por seu lado, o novo proprietário, empresário Alexandre Govor.

"Esperamos que o número de clientes não diminua, mas pelo contrário, que aumente. Especialmente porque agora é uma empresa 100% russa", enfatizou.

Estabelecido há mais de 30 anos na Rússia, o McDonald's foi uma das primeiras janelas do mundo ocidental que se abriram para os russos e que ficou ancorada às suas vidas diárias e novos hábitos.

Muito populares, as sucursais russas representavam para o império da McDonald's cerca de 9% do seu faturamento.

A decisão da McDonald's de suspender a atividade nos seus 850 restaurantes, envolvendo 62 mil funcionários, em março, e depois de abandonar o país definitivamente, em maio, por causa da ofensiva russa na Ucrânia lançada em 24 de fevereiro, foi muito mal acolhida pelos russos.

Elena, programadora e mãe de dois filhos, declarou à AFP que juntou toda a família para um "almoço de reunião" no novo "McDonald's russo", onde, desde a manhã deste domingo, bem antes da abertura oficial, dezenas de pessoas se reuniram junto ao emblemático restaurante da capital russa, na Praça Pushkin, um dos primeiros 15 restaurantes a receber clientes.

Na segunda-feira, outros 50 restaurantes da nova cadeia devem abrir, revelou Paroev, com a rede a pretender reabrir entre 50 e 100 restaurantes por semana em toda a Rússia.

No menu, a mesma variedade de antes: cheeseburgers e cheeseburgers duplos, uma grande variedade de gelados e sobremesas, mas o "Royal Deluxe" foi transformado no "Grand Deluxe" e o prefixo "McDo" não aparece mais em nenhum nome de hambúrguer.

"Fomos obrigados a retirar certos produtos do cardápio porque fazem referência direta ao McDonald's, como McFlurry e Big Mac", esclareceu Oleg Paroïev.

Os preços "aumentaram ligeiramente" devido à inflação que atingiu fortemente a Rússia desde que as novas sanções ocidentais foram impostas em fevereiro e março, após a ofensiva russa na Ucrânia, mas continuam "razoáveis", segundo avalia o diretor-geral da "Vkousno i totchka".

O primeiro McDonald's, na Praça Pushkin, no centro de Moscovo, foi inaugurado em janeiro de 1990, dois anos antes do colapso da União Soviética, e recebeu mais de 30 mil clientes no dia da inauguração - um recorde mundial para a marca norte-americana.

A fila gigantesca em frente ao restaurante tornou-se lendária. Tornou-se também no restaurante McDonald's mais visitado do mundo, segundo dados do grupo norte-americano, pois em 30 anos recebeu mais de 140 milhões de clientes, o equivalente a quase toda a população russa.

Alexandre Govor, que opera 25 restaurantes do grupo norte-americano na Sibéria desde 2015, comprou as atividades do McDonald's em maio último.

Cofundador de uma empresa de refinação de petróleo, a Neftekhimservice, o empresário concordou em manter os 51 mil funcionários diretos - 11 mil outros funcionários de restaurantes satélites - durante pelo menos dois anos, em condições equivalentes às que tinham anteriormente.

O empresário, de 62 anos, de Novokuznetsk (Sul da Sibéria), até então desconhecido fora do mundo dos negócios, afirma ter "planos muito ambiciosos".

"Queremos que o número dos nossos restaurantes atinja os mil em cinco ou seis anos", acrescentou.

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