Primeiro-ministro da Arménia reivindica vitória nas legislativas. Oposição denuncia "fraudes"

Após a contagem de 30% dos votos expressos, o partido do primeiro-ministro garantia 59% dos sufrágios, contra 19% para o bloco Arménia, do seu principal rival e ex-Presidente Robert Kocharian.

O primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan, reivindicou a vitória nas legislativas de domingo, com o seu partido a garantir larga vantagem, segundo os resultados parciais, mas com o seu principal adversário a denunciar "fraudes".

"Já sabemos que garantimos uma vitória convincente nas eleições e que teremos uma maioria convincente no Parlamento", afirmou Pashinyan num discurso difundido em direto na sua página Facebook.

Pashinyan apelou aos seus apoiantes para se concentrarem esta segunda-feira ao início da noite na praça da República, no centro da capital Erevan.

"O povo arménio deu ao nosso partido Contrato Civil o mandato para dirigir o país e a mim pessoalmente para o dirigir como primeiro-ministro", acrescentou.

Após a contagem de 30% dos votos expressos, o partido do primeiro-ministro garantia 59% dos sufrágios, contra 19% para o bloco Arménia, do seu principal rival e ex-Presidente Robert Kocharian.

No entanto, o líder da oposição já contestou, em comunicado, os resultados provisórios e denunciou "fraudes".

"O bloco Arménia [a coligação eleitoral de Kocharian] fixa como objetivo estudar atentamente as supostas fraudes e as que foram assinaladas. Enquanto estas questões não tiverem resposta satisfatória, o bloco não reconhecerá os resultados do escrutínio", indicou a formação em comunicado.

Perto de 2,6 milhões de arménios foram convocados esta segunda-feira às urnas para elegerem pelo menos 101 dos 132 lugares de deputados por cinco anos.

Quatro coligações eleitorais e 22 partidos, um recorde, apresentaram-se ao escrutínio, com diversas formações com possibilidade de elegerem deputados, segundo uma sondagem publicada na sexta-feira pelo instituto MPG, filial da norte-americana Gallup.

O ex-jornalista Pashinyan, 46 anos, no poder desde 2018 na sequência de uma revolução pacífica contra as velhas elites corruptas, enfrenta Kocharian, 66 anos, que acusa o seu rival de incompetência e falta de experiência.

A liderança de Pashinyan também foi questionada pelo conflito no enclave separatista arménio do Nagorno-Karabakh, em território do vizinho Azerbaijão, no outono de 2020, com um desfecho particularmente amargo para os arménios.

Um cessar-fogo com mediação de Moscovo pôs termo a seis semanas de combates que provocaram seis mil mortos. A Arménia foi forçada a ceder territórios que mantinha há mais de 30 anos, uma decisão que implicou importantes manifestações da oposição e apelos à demissão de Pashinyan.

Esta derrota, recebida na Arménia como uma humilhação nacional, desencadeou uma crise política, incluindo um conflito entre o primeiro-ministro e uma parte da hierarquia militar, que apelou para a demissão do chefe de Governo.

Após ter resistido, e assumido pessoalmente a liderança de contramanifestações de rua para denunciar uma "tentativa de golpe de Estado", Pashinyan acedeu finalmente à convocação de legislativas antecipadas com o objetivo de tentar diminuir a tensão interna e renovar o mandato, aparentemente reforçado no escrutínio de domingo.

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