Primeiro-ministro libanês anuncia demissão do Governo

A decisão surge após dias de contestação depois das explosões que arrasaram a zona portuária de Beirute.

O primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, anunciou esta tarde a demissão. A queda do governo acontece após dias de contestação depois das explosões que destruíram o porto de Beirute.

"Estamos a obedecer ao povo de responsabilizar os responsáveis ​​pelo desastre", disse o primeiro-ministro demissionário, num discurso transmitido na televisão, culpando aa classe política "corrupta" que governou o Líbano por mais de 30 anos pela explosão de 4 de agosto. "É por isso que hoje anuncio a renúncia do governo."

A demissão do executivo está relacionada com as explosões no passado dia 04 no porto de Beirute, que provocaram pelo menos 158 mortos e cerca de 6.000 feridos, e ainda na sequência das acusações de corrupção que levaram a uma crise económica sem precedentes e também à má gestão da pandemia de Covid-19.

Antes do início da reunião do Governo, quatro ministros tinham já apresentado a demissão.

Domingo, demitiram-se a ministra da Informação, Manal Abdel Samad, e o do Ambiente e do Desenvolvimento Administrativo, Damiamos Kattar, e, já hoje, a da Justiça, Marie-Claude Najm, e o das Finanças, Ghazi Wazni.

Além do Governo, pelo menos nove deputados do Parlamento libanês também apresentaram a demissão.

As explosões, que as autoridades libanesas têm atribuído a um incêndio num depósito no porto onde se encontravam armazenadas cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio, deixaram também cerca de 300.000 pessoas desalojadas, havendo ainda, segundo os mais recentes dados oficiais, cerca de duas dezenas de desaparecidos.

As explosões viram também alimentar a revolta de uma população já mobilizada desde o outono de 2019 contra os líderes libaneses, acusados de corrupção e ineficácia.

Violentos confrontos em Beirute

Dezenas de manifestantes envolveram-se novamente esta segunda-feira em confrontos com as forças de segurança libanesas no centro da capital pelo terceiro dia consecutivo.

Os manifestantes lançaram pedras e atearam alguns fogos, com os agentes a responderem com o lançamento de gás lacrimogéneo, segundo imagens transmitidas pela televisão.

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