Primeiro-ministro libanês vai propor a marcação de eleições antecipadas

Milhares de pessoas saíram às ruas, este sábado, na capital libanesa para exigir responsabilidades depois da explosão da última terça-feira.

O primeiro-ministro libanês Hassan Diab anunciou, este sábado, que vai propor a marcação de eleições antecipadas para resolver o impasse que tem empurrado o país para uma crise política e económica profunda.

"Não podemos sair da crise estrutural em que o país está sem organizarmos eleições parlamentares", disse o governante em direto na televisão, explicando que vai propor esta segunda-feira a marcação de eleições antecipadas.

"Apelo a todas as partes políticas que se entendam sobre a próxima etapa", acrescentou Diab. Os seus responsáveis "não têm muito tempo, estou disposto a continuar a assumir as minhas responsabilidades durante dois meses até que cheguem a acordo", precisou.

O chefe do Governo, que formou o seu gabinete em janeiro após a demissão de Saad Hariri no final de outubro, sob pressão do movimento de protesto popular, acrescentou que vai submeter na segunda-feira a sua proposta ao Conselho de Ministros.

130 feridos após manifestantes invadirem Ministério dos Negócios Estrangeiros

Manifestantes conduzidos por oficiais reformados invadiram este sábado o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Beirute e 130 pessoas ficaram feridas em confrontos entre polícia e manifestantes, que pedem contas às autoridades pelas devastadoras explosões no porto na terça-feira.

A invasão da mansão tradicional onde está instalada a sede do ministério, que foi proclamado "quartel-general da Revolução", foi divulgada em direto pela televisão, quando a atenção das forças de segurança se concentrava nos milhares de manifestantes reunidos no centro da cidade capital do Líbano.

Segundo a Cruz Vermelha libanesa, 130 pessoas ficaram feridas em confrontos entre a polícia e os manifestantes no centro de Beirute, 28 das quais tiveram de ser transportadas para o hospital.

As explosões, que as autoridades libanesas têm atribuído a um incêndio num depósito no porto onde se encontravam armazenadas cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio, causaram 158 mortos e mais de 6.000 feridos e vieram alimentar a revolta de uma população já mobilizada desde o outono de 2019 contra os líderes libaneses, acusados de corrupção e ineficácia.

"Tomámos o Ministério dos Negócios Estrangeiros para quartel-general da Revolução", anunciou o general na reforma Sami Rammah, diante de cerca de 200 pessoas que gritavam "Revolução".

Sami Rammah, que falava nos degraus da casa, danificada pelas explosões, apelou aos "países árabes, todos os países amigos, Liga Árabe e ONU para considerarem a (sua) revolução como o verdadeiro representante do povo libanês".

Os manifestantes que se concentraram no centro de Beirute pediram vingança contra os seus dirigentes e alguns tinham cordas, para simbolizar o seu enforcamento.

Guilhotinas em madeira foram instaladas na praça dos Mártires em Beirute, epicentro da contestação iniciada em outubro de 2019, e muitos manifestantes gritaram "vingança, vingança, até à queda do regime".

Não muito longe da sede do parlamento, grupos de jovens lançaram pedras e paus e a polícia utilizou gás lacrimogéneo para os dispersar.

As explosões, que terão deixado também até 300.000 pessoas desalojadas, foram uma tragédia a mais para os libaneses que sofrem o peso de uma crise económica e política.

Uma desvalorização sem precedentes da sua moeda, hiperinflação, despedimentos em massa, situação agravada pela pandemia do novo coronavírus, que obrigou as autoridades a confinarem a população durante três meses.

No domingo realiza-se uma videoconferência de doadores para o Líbano, coorganizada pelas Nações Unidas e pela França.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de