Problemas globais, soluções locais. Qual o papel das regiões no futuro da Europa?

Apostolos Tzitzikostas afirma, em declarações à TSF, que as regiões e as cidades devem ter o papel principal no que toca à democracia europeia. O presidente do Comité Europeu das Regiões, sublinha que o governo local é o nível que está "mais próximo dos cidadãos", algo essencial no processo de descentralização.

No Dia da Europa que coincidiu, na segunda-feira, com o encerramento da conferência sobre o Futuro da Europa, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, a TSF falou com o presidente do Comité das Regiões sobre o papel das cidades e dos jovens no futuro da União Europeia, a descentralização e a guerra na Ucrânia.

Apostolos Tzitzikostas, considera que as regiões e as cidades são as protagonistas na transformação da União Europeia num espaço mais democrático, aberto e transparente.

"Somos o nível de governo que está mais próximo dos cidadãos e, ao mesmo tempo, temos a confiança dos cidadãos. Na verdade, os cidadãos confiam em nós mais do que em qualquer outro nível de governo na UE. A este respeito, acreditamos que podemos ser os atores que podem aproximar a Europa dos cidadãos e mostrar-lhes o que é a Europa, como ela afeta a sua vida quotidiana e ao mesmo tempo fazê-los sentir que fazem parte deste processo", afirma, sublinhando que o importante é que "os nossos membros da conferência sobre o Futuro da Europa concordam que precisamos de melhorar o nível de poder das regiões e das cidades no processo de tomada de decisões na Europa".

Estar mais próximos dos cidadãos e integrar as regiões no processo de tomada de decisões é algo que, na opinião do presidente do Comité Europeu das Regiões, faz com que o processo de descentralização seja fundamental.

"Ao descentralizar, somos capazes não só de saber melhor quais são os problemas existentes no terreno, mas também quais as soluções para esses problemas. De facto, acredito que a descentralização é a chave para a Europa democrática."

As cidades e as regiões são financeiramente muito distintas entre si. Tzitzikostas reforça a importância de diminuir essas diferenças, indicando que é por isso que existem os fundos de coesão, para que "as cidades e as regiões consigam adaptar-se, usar os fundos e fechar essa lacuna".

Para Tzitzikostas, o futuro da Europa passa também, sem dúvida, pela participação dos mais jovens nos assuntos europeus.

"Sem os jovens, não podemos moldar o futuro. É por isso que é muito importante que os jovens estejam aqui, apresentem as suas propostas, façam as suas avaliações e se envolvam neste processo. Como Comité Europeu das Regiões, envolvemos os jovens através das suas organizações e de todas as decisões que temos, porque acreditamos realmente que temos de ter uma palavra a dizer no futuro da União", refere.

No momento atual em que vivemos, com uma guerra na Europa, Tzitzikostas alerta para a importância do papel da União Europeia no conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Para o presidente do Comité Europeu das Regiões, a Europa deve ter em consideração a ajuda humanitária e conseguir ser independente relativamente ao petróleo e ao gás russos.

"O papel da União Europeia nesta crise é, em primeiro lugar, fazer com que a ajuda humanitária chegue a todos os cantos das fronteiras e às regiões e cidades europeias que lidam com toda esta tragédia humana e, ao mesmo tempo, poder ser independente do petróleo e gás de outros países. Em terceiro lugar, assegurar que a União Europeia esteja presente na reconstrução da Ucrânia", assinala.

Apostolos Tzitzikostas defende ainda que a Europa deve ouvir as regiões e as cidades antes de tomar qualquer decisão, visto que, para o presidente do Comité Europeu das Regiões, os problemas são globais, mas as soluções devem ser sempre locais.

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