Produção do A380 terminou. Como se recicla o maior avião de passageiros do mundo?
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Produção do A380 terminou. Como se recicla o maior avião de passageiros do mundo?

A empresa Tarmac Aerosave já reciclou seis aeronaves A380.

Foi há quase 20 anos que o Airbus A380 entrou ao serviço. No entanto, rapidamente tornou-se muito grande e caro para as companhias aéreas devido aos seus quatro motores. Depois de ser lançado em 2005, foram apenas construídos 251 A380 e a produção foi encerrada no final de 2021. Apesar de ainda cruzarem os céus, várias destas aeronaves já foram recicladas.

"O A380 é certamente uma das aeronaves mais jovens a serem recicladas", diz Geoff Van Klaveren, analista de aviação da empresa de consultoria IBA, citado pela CNN Internacional. "Normalmente, espera-se que uma aeronave comercial esteja em operação por 25 anos antes de ser descartada."

Assim sendo, a pergunta impõe-se: como é reciclado o maior avião de passageiros do mundo? Apenas algumas empresas são capazes de o fazer. A mais experiente é a Tarmac Aerosave, tendo já reciclado mais de 300 aeronaves desde 2007.

Esta empresa, que pertence à Airbus, já reciclou seis A380 e, neste momento, está a reciclar o sétimo, prevendo-se que o processo esteja totalmente concluído em março.

Van Klaveren explica que a reciclagem de um A380 "não é um trabalho fácil". "É mais difícil descartar um A380 no sentido em que há um mercado limitado para as peças."

"Dito isso, sendo uma estrutura de alumínio, é mais fácil do que uma aeronave composta como o A350 ou o Boeing 787, onde atualmente não há como reciclar a estrutura, que é simplesmente cortada em pedaços e enterrada ou armazenada", esclarece o especialista.

Primeiro passo: retirar peças para serem reutilizadas

Também ouvido pela CNN Internacional, Lionel Roques, diretor de vendas da Tarmac Aerosave, afirma que "a reciclagem reaproveita e prolonga a vida útil das diferentes componentes da aeronave". "O primeiro passo é retirar algumas peças que vão continuar a ser utilizadas noutra aeronave." Entre essas peças estão os motores ou o trem de aterragem.

No caso do A380, as peças ficam de reserva para a restante frota ou podem também ser usadas para treino. "Às vezes, podemos entregá-los a escolas ou outras instalações para que novos mecânicos ou alunos possam treinar com peças reais."

Próxima fase: gerir resíduos

O próximo passo é a gestão de resíduos. "É aqui que separamos todos os diferentes materiais, seja alumínio, titânio ou cobre, e garantimos que os encaminhamos para os devidos canais de recuperação para serem transformados em algo novo", explica Roques.

O A380 tem 120 toneladas de alumínio e, por isso, esta fase pode durar meses. "Por se tratar de uma aeronave tão grande, precisamos de uma grande instalação e adaptar as suas ferramentas e métodos. Também temos que ter cuidado com a segurança e o ambiente de trabalho."

A Tarmac Aerosave garante que tudo é reciclado: "Até ao último parafuso." Embora não haja regulamentação, a empresa pretende recuperar mais de 90% do peso das aeronaves.

"O desperdício é o mínimo possível. Claro que vai sobrar algum material compósito ou alguma mercadoria perigosa que não pode ser reciclada, mas estamos a falar de uma pequena percentagem, de 1% a 3%, que vai ser lixo residual ou ir para aterro", sublinha Roques.

O custo da operação está na casa dos "seis dígitos", adianta, explicando que tudo depende da quantidade de peças que precisam de ser retiradas da aeronave.

Uma alternativa chamada "upcycling"

Há também outra hipótese: o "upcycling", isto é, segundo Roques, "retirar peças que possam ser usadas como elementos decorativos", fazendo com que os amantes da aviação possam adquirir determinados objetos das aeronaves como cintos de segurança, lâmpadas, cortinas, chaleiras, assentos, escadas ou até mesmo peças do motor.

O item mais cobiçado, vendido por cerca de cinco mil dólares (aproximadamente 4600 euros), foi uma barra de cabine exclusiva, com mais de dois metros de altura, e que se tornou um dos símbolos da companhia aérea Emirates.

"A vida útil do A380 ainda não está escrita e, para dar suporte à operação, precisamos de peças de reposição. O fato de estarmos a desmontar aeronaves e a colocar peças de reposição no mercado vai dar suporte a uma operação prolongada do avião", afirma Roques, acrescentando que não haverá uma aeronave como a A380: "É uma aeronave inigualável e única, e a sua vida útil será estendida o máximo possível, mas não vejo algo que a substitua."

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