Protestos contra reforma de pensões bloqueiam principal porto francês

No oitavo dia de protestos, os grevistas bloquearam o maior terminal francês de contentores, Le Havre.

A área industrial e portuária de Le Havre, principal porto francês de contentores, foi hoje bloqueada por cerca de mil pessoas, segundo a polícia, ou 6.000, segundo o sindicato CGT, mobilizado contra uma reforma do sistema de pensões.

"Estão aqui mais de mil pessoas", disse uma fonte policial à agência de notícias francesa AFP.

"Estão entre 5.000 e 6.000 pessoas nos oito principais pontos de bloqueio. Não há nenhuma atividade portuária. Toda a área industrial está fechada. Estamos felizes", afirmou, por seu lado, Sandrine Gérard, representante do sindicato CGT em Le Havre (noroeste da França).

"Os anúncios feitos ontem [quarta-feira] pelo nosso primeiro-ministro aumentaram a mobilização", acrescentou a sindicalista.

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, que foi vice-presidente da câmara de Le Havre, anunciou na quarta-feira que o novo sistema universal de pensões em França vai abranger apenas as gerações nascidas a partir de 1975 e só terá nova formulação, através de pontos, a partir de 2025, mas estas novas informações sobre a reforma que o Governo quer fazer não tranquilizaram os sindicatos.

"De forma a pôr termo a uma semântica guerreira, para a qual nos querem arrastar, quero dizer-vos que esta refundação [do sistema de pensões] não é uma batalha", disse Edouard Philippe.

Edouard Philippe garantiu que a idade da reforma se vai manter nos 62 anos, com uma idade de equilíbrio aos 64 anos, havendo assim um incentivo a quem deixar de trabalhar mais tarde.

Quanto à entrada em vigor do novo sistema universal, que vem substituir os 42 sistemas de pensões que existem no país, não vai tocar os trabalhadores nascidos antes de 1975 e para os que nasceram depois, até 2025 os cálculos mantêm-se como atualmente. Assim, alguém que nasceu em 1975, que estará reformado em 2037, terá uma pensão composta pelos dois sistemas.

A França vive hoje o seu oitavo dia consecutivo de greve, com fortes paralisações nos transportes públicos e comboios de longo curso, mas também protestos por parte dos professores e enfermeiros.

Os principais sindicatos dos caminhos de ferro já pediram o reforço da greve por considerarem o sistema de cálculo de pensões como "injusto".

A totalidade da reforma do sistema de pensões vai começar a ser discutida na Assembleia Nacional a partir fevereiro e deverá entrar em vigor em 2022 para os trabalhadores mais jovens e 2025 para as gerações nascidas a partir de 1975.

Notícia em atualização

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