Bielorrússia

"Provavelmente, não é seguro ficar" na Ucrânia, após morte do activista Vitaly Shishov

Apesar do reforço de segurança anunciado pelo governo de Kiev, muitos bielorrussos que se encontram na Ucrânia podem deixar o país, admite à TSF uma activista do Centro de Libertação da Bielorrússia.

Palina Brozik chegou a Kiev em 2015. Saiu da Bielorrússia, por motivos pessoais, mas, desde o ano passado, está activamente envolvida no apoio aos compatriotas que querem sair do país. Fundou o Centro de Libertação da Bielorrússia e, por isso, cruzou-se com Vitaly Shishov, o activista da ONG Casa da Bielorrússia, na Ucrânia, encontrado morto na passada terça-feira.

Palina Brozik não quer alongar-se sobre a morte de Shishov, mas conta que todos ficaram chocados. "As pessoas estavam a chorar e acredito que muitas estão a pensar em mudar de país, porque, provavelmente, outros activistas acham que não é seguro ficar aqui, na Ucrânia".

Em cinco meses, a associação de Palina Brozik ajudou cerca de 800 bielorrussos, mas é apenas uma ínfima parte dos mais de 160 mil que terão saído da Bielorrússia para a Ucrânia.

Um número que não pára de crescer, salienta Palina Brozik. "Em comparação com os números do Inverno, temos o dobro ou o triplo dos refugiados. Por isso, a situação está a deteriorar-se. As pessoas têm de deixar as suas casas e salvar as famílias, fugindo para países como a Ucrânia."

A activista bielorrussa confessa que, como todos os bielorrussos que lidam com questões do país, conhece os "riscos potenciais". "Claro que muitos têm precauções, com a segurança física e digital. Por isso, as medidas que estou a tomar agora não são muito diferentes do que já fazia, mas, claro, posso estar mais alarmada com o que se passa à minha volta."

Palina Brozik espera que a morte de Vitaly Shishov seja investigada rapidamente, até porque considera que está em causa a reputação da Ucrânia. O governo de Kiev anunciou, esta quarta-feira, o reforço da protecção aos dissidentes bielorrussos.

A activista diz acreditar que "o governo e as forças da ordem ucranianas tomarão as medidas adequadas, para garantir a segurança dos cidadãos bielorrussos, especialmente dos activistas mais proeminentes".

*a autora não segue o Acordo Ortográfio de 1990

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