Próximo secretário-geral da NATO? "Fala-se nos corredores"

Debate sobre a sucessão do atual secretário-geral da NATO será empurrado para a próxima cimeira, que deverá acontecer em Madrid, em 2022.

Arranca esta segunda-feira, em Bruxelas, a 31.ª cimeira formal da Aliança Atlântica. É a primeira da era de Joe Biden. Os aliados vão debater formas de projetar o futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), esperando que a nova administração norte-americana represente uma viragem, que faça esquecer os "quatro anos razoavelmente complicados" da administração de Donald Trump, é a convicção que o embaixador de Portugal na NATO expressou, entrevistado em Bruxelas pela TSF.

A pouco mais de um ano de terminar o mandado de secretário-geral, o dinamarquês Jens Stoltenberg ainda não incluiu o tema da sua substituição na agenda de cimeira. Mas o assunto já faz parte das conversas na sede da Aliança Atlântica.

"Fala-se. Fala-se nos corredores, evidentemente", responde perentoriamente o diplomata, com a ressalva de que "não há ainda nomes a circularem". Pelo menos, "de forma credível", apontou.

Ainda assim, "criam-se especulações e (...) adiantam-se ideias", mas o Representante Permanente da Delegação Portuguesa na NATO salienta que "neste momento há situações diversas nos vários aliados". Por exemplo, "eleições que vão ter lugar".

Para o embaixador Pedro Costa Pereira, "tudo isto deixa sempre um pano de fundo com alguma incerteza", sendo por essa razão que a discussão mais formal ainda "não está no patamar de discutir, de forma credível, a substituição deste secretário-geral".

"Quero imaginar que, na cimeira de Madrid, em 2022, seja um assunto muito quente nas discussões", afirmou. "Para já, é apenas uma perspetiva, que é muito real, mas que ainda não é concreta", admite.

"Não estamos no patamar de discutir, de forma credível, a substituição deste secretário-geral", afirmou o embaixador, vincando que, nesta fase, "não se fala de forma credível em nomes" para suceder ao norueguês, Jens Stoltenberg, que termina o mandato a 30 de setembro de 2022.

O cargo é tradicionalmente entregue a um europeu. Já foi ocupado mais do que uma vez pela Holanda, pelo Reino Unido, Itália, ou até pela Bélgica. Dinamarca e Alemanha também já ocuparam o posto uma vez, tal como agora a Noruega. Portugal, apesar de ser um dos países fundadores, em 70 anos de aliança, nunca esteve na liderança da organização, que se reúne esta segunda-feira ao mais alto nível.

É a primeira cimeira com a nova administração norte-americana. O diplomata português não esconde a expectativa de mudança para uma interação "normal" com os Estados Unidos, depois de "quatro anos razoavelmente complicados", com a liderança de Donald Trump.

A vinda de Joe Biden representa, por isso, a possibilidade de o país, que tem o maior orçamento de defesa na organização, expressar "total compromisso para com a Aliança Atlântica e para com o seu artigo quinto, na linha daquilo que é a habitual posição dos Estados Unidos no seio da NATO".

Por outro lado, da Europa espera-se que seja reafirmado o compromisso com o reforço da despesa militar, pelo menos até 2% do PIB, até 2024. "É também isto que os Estados Unidos esperam ouvir dos outros aliados", frisa o embaixador Pedro Costa Pereira.

A pandemia não será um tema da cimeira, mas estará como "pano de fundo", sendo um assunto que "fez parte de toda a reflexão sobre como melhor ajustar a Aliança Atlântica aos desafios do seu tempo, que passam, em grande parte, por um aumento da capacidade de resiliência", apontou o embaixador, considerando que está em causa "a forma como são capazes de fazer face a situações de crises complexas, como foi o caso desta pandemia".

No capítulo da "resiliência", será discutido "tudo o que tem a ver também com as tecnologias emergentes e disruptivas, com a computação quântica, com o 5G", apontou o embaixador.

Os chefes de Estado ou de governo vão também analisar "as consequências que decorrem da afirmação da China, com impacto na área de responsabilidade da aliança", disse Pedro Costa Pereira, apontando "desafios, e também oportunidades", e "as duas coisas devem ser tidas em consideração".

"A Aliança Atlântica tem que considerar tudo o que se passou desde 2014, desde que a Crimeia foi anexada", afirmou, em relação ao debate que será realizado sobre a Rússia.

"Houve um ressurgimento da tensão a leste, que, neste momento, se reflete na forma como a Aliança encara as suas ameaças. (...) O que nós gostaríamos era que, de facto, a Rússia pudesse deixar de ser uma ameaça", afirmou, acrescentando que "o que é facto é que hoje ainda não estamos lá".

A reunião decorre sob medidas sanitárias estritas, tornando-se o primeiro encontro de alto nível, em Bruxelas, com o escrutínio presencial da imprensa. Cada um dos presentes apresentou o teste PCR com resultado negativo à Covid-19, como pré-condição de acesso ao quartel-general da Nato.

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