Elizabeth Loftus
entrevista com Elizabeth Loftus

Psicóloga mais influente do mundo tem #MeToo à perna. Memória defeituosa é a maior causa de "condenações injustas"

"Este é o mais parecido." Foi com esta frase que Steve Titus, um então gerente de restaurante, de 31 anos, que vivia em Seatle, passou a ser acusado de violação. A testemunha, que analisara os rostos de homens dispostos em linha, destacou-o entre os potenciais perpetradores. Mais tarde, em tribunal, o relato mudou: "Tenho a certeza absoluta de que este é o homem." Steve Titus foi condenado, mas um jornalista de investigação conseguiu apurar que o homem errado tinha sido preso, ao descobrir que o culpado era, em vez disso, uma outra pessoa que já tinha sido implicada em 50 casos de violação.

Apesar de ilibado, Steve Titus nunca mais conseguiu manter um emprego. A relação com a noiva, Gretchen, tinha terminado, e o dinheiro que economizara evaporara-se. Sem conseguir ultrapassar a série de injustiças que enfrentara, resolveu processar a polícia, mas morreu, de ataque cardíaco, potenciado pelo stress que sentia, dias antes de o veredicto - que o indemnizaria - ter sido conhecido.

Elizabeth Loftus nunca mais esqueceria o nome deste homem condenado injustamente. A psicóloga mais influente do século XX, de acordo com uma lista compilada pela Review of General Psychology, quis compreender como a frase "este é o mais parecido" pôde evoluir para a firme acusação "tenho a certeza absoluta de que este é o homem".

O trabalho deElizabeth Loftus ajudou a tornar obsoleto o modelo arquivístico da memória: a ideia, dominante durante grande parte do século XX, de que as memórias humanas são armazenadas numa espécie de biblioteca mental, como representações literais de eventos passados.

A psicóloga e investigadora alerta que as memórias são reconstruídas e mutantes, em vez de repetidas ou fixas. Com o seu trabalho, ajudou, nos EUA, a ilibar várias pessoas em casos de violação, assentes na confiança cega no relato das testemunhas. Começou a ser acerrimamente perseguida pelo movimento #MeToo quando a defesa do Harvey Weinstein lhe pediu ajuda.

A sua forma de interpretar a memória adveio da sua perceção acerca de como a justiça norte-americana se baseia tanto em testemunhas ou já tinha tido uma intuição baseada em outros gatilhos antes?

Quando eu comecei a trabalhar no tema da memória e na memória das testemunhas, estava interessada em estudar o tipo de situações em que as testemunhas reproduziriam um acidente ou um crime, mas estava basicamente a olhar para o processo da memória e não estava a pensar propriamente no sistema criminal. Isso surgiu mais tarde.

Que caso teve mais impacto em si?

Há tantos casos que são importantes e especiais para mim, por diferentes razões. Mas, quando dei uma TED Talk, na Escócia, queria pegar num caso de que pudesse falar e com que pudesse iniciar a minha reflexão, e escolhi um caso criminal: um caso de violação em que um homem foi condenado mas era inocente. Apesar de depois ter sido comprovado que ele era inocente, foi tão stressante para ele que ele morreu de ataque cardíaco com 35 anos. O nome dele era Steve Titus.

Esse foi um caso muito significativo para mim porque foi muito trágico e mostrou o que pode acontecer a alguém que é falsamente acusado e condenado erroneamente.

Esta foi mais uma prova de que a memória humana não é confiável?

Sabemos isso devido a muitos e muitos casos. Mesmo o Innocence Project, em Nova Iorque, mostrou que a memória humana defeituosa é talvez a maior causa, ou, pelo menos, seguramente uma das maiores causas, de condenações injustas.

Além da justiça, que impactos pode ter na sociedade a sua visão sobre a memória?

Penso que a memória é importante em muitas áreas, e não só no sistema de justiça, em que a memória muito precisa realmente importa, porque a liberdade de alguém está em jogo. A memória é importante em outros casos, mesmo nas relações interpessoais, em que duas pessoas estão em desacordo em relação a um acontecimento passado.

Se compreendermos que a memória é maleável e que erros podem ser cometidos inocentemente, temos uma forma mais gentil de nos sentirmos em relação a um amigo ou um membro da família que tem uma recordação diferente da que nós temos.

Por isso, acredito que compreender a memória pode ajudar nas nossas relações uns com os outros.

Podemos usar o termo "falsa" para descrever uma memória que de facto tenhamos?

Quando nos lembramos de algo que na verdade aconteceu de forma diferente ou quando nos lembramos de um acontecimento do início ao fim que nunca aconteceu... Esses são exemplos de ter uma memória falsa.

Uma falsa memória é como um termo guarda-chuva que pode incluir erros inocentes e pequenos ou até grandes erros de memória.

Se o sistema de justiça dos Estados Unidos, mas também de outros países, começar a compreender o quão defeituoso pode ser o testemunho de uma pessoa, este impacto pode chegar a que ordem de grandeza de casos?

Há muitos cientistas que estudam a memória e psicólogos que fazem um trabalho semelhante ao meu a trabalhar nisto em todo o mundo. Mantenho-me sempre em comunicação com cientistas na Europa, na Austrália ou Nova Zelândia, Canadá e outras partes do mundo que estão a estudar a distorção da memória e falsas recordações de testemunhas, por isso é um problema à escala mundial.

O que pode fazer o sistema de justiça para corrigir o problema, se se baseia tanto no relato das testemunhas?

Há muitas coisas que podem ser feitas, e cada uma delas pode ajudar a melhorar um bocadinho, mas coletivamente podem fazer uma grande diferença. Por exemplo, há coisas que a polícia pode fazer durante a investigação. Quando mostra a uma testemunha uma série de fotografias, para ajudar à identificação, há um certo tipo de instruções que é melhor que se dê às testemunhas. Uma instrução deste género: "Ele pode estar ou não estar nesta série de fotografias." Ou: "É tão importante exonerar o inocente como condenar o culpado."

Outra coisa simples que a polícia pode fazer é ter alguém que não sabe qual é o suspeito da polícia a conduzir os testes que se apoiem na memória, para que o agente não possa, nem acidentalmente, indicar à testemunha qual é o suspeito. Estes são alguns exemplos de medidas que podem ser tomadas pela polícia durante as investigações.

Há ainda outras recomendações sobre o que pode acontecer durante um julgamento. Num julgamento, devemos querer informar o júri ou o juiz, e como vamos fazer isso? Pode ser através de instruções ao júri, educando as pessoas acerca da memória, ou através do testemunho de especialistas no assunto. É outra forma de o sistema intervir e talvez reduzir a probabilidade de uma memória equivocada levar a uma condenação injusta.

Acredita que haverá alguma forma de os cidadãos controlarem o seu processo de reconstrução da memória para que esta deixe de ser tão alterável? Ou acredita que conseguiremos alcançar esse controlo no futuro?

Será um bocadinho difícil. Se colocarmos as pessoas a parar e a pensar, elas não saberão de que forma chegaram a determinada conclusão. "Será que sei isto de acordo com a minha própria perceção, esta é realmente a minha memória ou é algo que obtive de outra qualquer fonte?" Se forçarmos as pessoas a pararem e a pensarem, a escrutinarem a sua memória... Há investigação que demonstra que isso ajudará um pouco. O problema é que as pessoas não andam pela vida a escrutinar tudo. Despenderiam demasiado tempo, não é provável que as pessoas o façam, por isso vamos ter de chegar a outras formas de as pessoas, por sua própria iniciativa, tentarem discriminar uma memória autêntica de outra que é produto da imaginação ou de outra fonte ou mesmo de um sonho, que estão a interpretar mal, ou de um outro processo.

Haverá alguma tecnologia no futuro para ajudar o ser humano a lembrar-se de uma forma mais objetiva, atuando em algumas áreas do cérebro?

Não sei, mas receio que a tecnologia prejudique, porque, com a ubiquidade de coisas como o Photoshop ou Deepfake, em que podemos criar um vídeo em que uma pessoa esteja a fazer qualquer coisa que queiramos que diga ou faça, pode recorrer-se a técnicas para distorcer a memória, e estas técnicas podem cair nas mãos de um grande grupo de pessoas e podem manipular as memórias dos outros.

Estou preocupada com o problema contrário: que a tecnologia seja usada para tornar o problema pior. E teria de pensar em como, algum dia, poderíamos utilizar a tecnologia para melhorar o processo da memória.

Que efeito podem ter o preconceito, o racismo e o trauma na memória?

Uma coisa que sabemos é que há memórias falsas motivadas. As pessoas têm maior probabilidade em aceitar informação falsa ou em ter as suas memórias contaminadas se a informação falsa corresponder às suas crenças preestabelecidas ou aos seus preconceitos. Essa é uma forma como o preconceito pode estar ligado a esta distorção da memória. É mais fácil fazermos outra pessoa acreditar, mesmo que não seja em algo que é verdadeiro, mas que seja consistente com as suas crenças ou preconceitos anteriores.

Como funciona o trauma?

Quando uma pessoa tem um trauma genuíno, quando presenciou um acidente horrível, lembra-se do acontecimento e talvez de alguns detalhes. Mas a sua memória, para alguns pormenores periféricos, por exemplo, pode sofrer. Só que também sabemos que até as experiências traumáticas que realmente aconteceram podem mesmo ser distorcidas na memória das pessoas, com a desinformação.

Fala sobre como os militares muitas vezes são questionados com técnicas de abuso e tortura...

Há um estudo acerca dos soldados que enfrentam um treino ou uma aprendizagem muito stressante.

Também fala da construção da memória num contexto de conflito e guerra. É possível que os seus estudos sobre a memória redefinam a forma como a História é interpretada ou levar as pessoas a questionarem-se acerca da História que aprenderam?

Certamente se estivermos a lidar com a História contada oralmente, com acontecimentos do passado a serem transmitidos sem grande documentação, apenas baseando-se nas memórias das pessoas passadas de umas gerações para outras. Há potencial para a distorção, para o exagero, para a alteração, e outras coisas...

Mas às vezes as coisas são documentadas, por isso há documentos na atualidade e fotografias que são autênticas e que podem ser provas de corroboração da História.

Mas acredita que de alguma forma a maneira como interpreta a memória pode revolucionar muitos aspetos da sociedade, por mais simples que lhe pareça à primeira vista?

Sim, eu estudo a memória pelo menos há quatro décadas. A ciência tem evoluído, e tenho acompanhado toda a investigação que comprova a maleabilidade da memória. Penso que este trabalho tem aceitação por parte da comunidade científica. Prova disso é que consta na maior parte dos livros de Psicologia atuais que dizem respeito ao tema da memória. O trabalho é muito citado por outros cientistas.

Políticos, ativistas ou grupos religiosos recorrem à desinformação, sabendo desta propriedade de maleabilidade da memória, para fixar estas falsas certezas e para as fazer repetir como verdades?

Sim, é verdade. Penso que o grande problema com a desinformação e informação ambígua ocorre especialmente através das redes sociais, onde é tão fácil difundir. Mas também outros media podem comunicar informação falsa que pode ser prejudicial para as pessoas.

Penso que as pessoas estão conscientes de que isto é um problema, e estão a tentar pensar e organizar, a estudar como podem resolvê-lo. No entanto, é um problema, é um grande problema, principalmente quando as pessoas transmitem informação falsa sobre questões de saúde, que fazem com que os outros acreditem em algo que não é verdade e que tomem medidas que são prejudiciais para a própria saúde e para a saúde dos que os rodeiam.

Considera que a base de muitas religiões é a memória reconstrutiva?

Não sou particularmente religiosa, por isso talvez não seja a melhor pessoa para falar sobre religião...

Tem algumas ideias sobre como as pessoas podem criar um escudo contra a interiorização de desinformação?

Há muitas coisas que as pessoas podem fazer, mas uma dica muito simples é: 'Pare e pense antes de partilhar qualquer coisa que possa não ser verdadeira, para que não se torne parte do problema.' E penso que os órgãos de comunicação social podem ajudar-nos nesta tarefa. Há pouco tempo, estava no Facebook e preparava-me para partilhar um artigo... Vi o destaque e decidi partilhar, e apareceu-me uma mensagem que dizia: 'Já se apercebeu de que este artigo tem oito anos?' E eu pensei: 'Não, claro que não me apercebi, eu não quero partilhar um artigo que já foi escrito há oito anos.'

O que eu quero dizer é que qualquer coisa que nos obrigue a parar e a pensar antes de partilhar algo que talvez não queiramos mesmo partilhar ajudará a desacelerar esta transmissão de desinformação.

O facto de vivermos hoje numa sociedade cada vez mais exposta a estímulos e distrações agrava o problema da memória reconstrutiva?

A existência de redes sociais e a plataforma que qualquer pessoa tem para difundir informação são traços da sociedade atual e são problemas potenciais.

A memória está a ser comprometida cada vez mais cedo?

Estamos vulneráveis a ter a nossa memória mais contaminada por outras pessoas. Sempre que tentamos lembrar-nos de alguma coisa, estamos basicamente a reconstruí-la. Estamos a reconstruí-la precisamente agora, por isso o contexto já é diferente.

Que técnicas de psicoterapia considera perigosas por poderem contribuir para esta maleabilidade da memória?

Há excelentes psicólogos que fazem uma psicoterapia muito boa e que já demonstrou ser saudável para as pessoas. Mas particularmente a corrente da psicoterapia com a qual eu e outros investigadores temos sido críticos é a que assume que os problemas atuais se devem a abusos sexuais na infância e depois tenta encontrar esses traumas no passado dos seus pacientes. No processo, acabam por enveredar por dinâmicas que levam estes pacientes a relatar coisas que não aconteceram.

Talvez utilizem a imaginação guiada ou hipnose, ou outras técnicas muito sugestivas. Talvez recomendem aos pacientes livros que serão problemáticos... Estas atividades já levaram a falsas memórias, acusações erróneas e à destruição de famílias, em detrimento da sua cura.

Consegue imaginar alguns setores da economia a beneficiarem deste processo de criação de memórias?

A sua pergunta faz-me pensar que alguma distorção da memória pode ser benéfica para as pessoas. Nem toda a distorção de memórias é negativa. Por exemplo, as pessoas lembram-se de terem tido melhores notas na escola do que aquilo que realmente tiveram. Ou pensam que deram mais dinheiro para causas sociais do que o que realmente deram. Recordam-se de ter votado em eleições em que não votaram. Estes são fenómenos de distorção que fazem apenas com que as pessoas se sintam melhor consigo mesmas, podem não ser propriamente desvantajosas.

Algumas memórias falsas têm maior probabilidade de se enraizar do que outras?

Provavelmente. Por exemplo, conduzimos estudos em que fizemos as pessoas acreditarem que ficaram doentes ao comerem determinados alimentos, quando eram crianças. E hoje já não querem comer esses alimentos tão frequentemente. Isso pode ajudar as pessoas, pode funcionar quase como uma técnica de dieta. Se conseguir reduzir o interesse de alguém em alimentos gordurosos, plantando a falsa memória de que essa pessoa já ficou doente por causa deles, talvez isso ajude a que consiga ter uma vida mais saudável.

Esse tipo de memória tem maior probabilidade de ficar com a pessoa do que se eu colocar essa pessoa a lembrar-se de outras informações erradas, como ter-se perdido num centro comercial? É muito difícil fazer essa comparação, por isso não sei a resposta.

É possível que no futuro isto venha a ser usado de uma forma comunitária, recorrendo a memórias coletivas, a "bem" da Humanidade?

Potencialmente, sim. Se pusermos as pessoas a interessarem-se menos por comer comidas gordurosas, depois de plantarmos nelas a recordação certa, a interessarem-se menos por bebidas alcoólicas... Podemos fazê-las interessarem-se por comida mais saudável, como espargos. Estas são pequenas distorções da memória que potencialmente ajudarão as pessoas a viverem uma vida mais saudável.

Pode não ser uma má ideia.

Sim, individualmente... Mas coletivamente não poderá ser uma ferramenta perigosa?

Todas as técnicas de manipulação da mente podem ser perigosas, se chegarem às mãos erradas e as pessoas fizerem coisas negativas com elas.

Uma falsa memória pode ter o poder de mudar a nossa essência, aquilo que somos, para sempre?

Certamente tem o poder de nos mudar, a curto prazo. Não sei se poderá fazê-lo para sempre, mas, no imediato, sim. Porque as falsas memórias podem ter influência nos nossos pensamentos subsequentes, intenções e até comportamentos.

Porque diz que as suas descobertas tornaram-na mais tolerante?

Quando eu estou a falar com um familiar ou com um amigo e eles recordam-se de algo que é completamente diferente daquilo de que me lembro, isso incomoda-me, mas não penso imediatamente que estão a mentir de forma deliberada. Penso que a minha interpretação é um bocadinho mais generosa: talvez eles simplesmente tenham uma memória falsa ou confusa. Acredito que essa é uma forma mais compreensiva de pensar nas pessoas.

Porque está o movimento #MeToo tão zangado consigo?

Porque, durante décadas, eu questionei a memória, e, em ocasiões mais recentes, algumas dessas memórias envolviam alegações de agressões ou abusos sexuais. E é um tópico tão sensível que há pessoas que não o querem ver questionado. Não querem ver acusações deste tipo a serem questionadas. Querem que se acredite na acusação, que ela seja aceite e acolhida, e, por vezes, as pessoas conseguem ficar perturbadas e zangadas.

Aceitar qualquer acusação, independentemente de ser dúbia, sem qualquer tipo de escrutínio, em primeiro lugar, pode tornar triviais as acusações verdadeiras. Não vivemos num mundo em que cada acusação leva à pena de morte. E também não queremos isso.

O facto de a defesa de Harvey Weinstein a ter procurado intensificou esta hostilidade, concorda?

Ele tornou-se muito impopular, e há muitas histórias relativas ao seu mau comportamento. E possivelmente ele fez algumas das coisas de que foi acusado, mas isso não quer dizer que ele tenha feito todas essas coisas más, que todas as pessoas que disseram algo de mau acerca dele... Temos de investigar. Com os casos, não se trata apenas de aceitar as histórias como sendo 100% verdadeiras, ou todas verdadeiras. Não sem pelo menos alguma investigação.

O facto de ter sido reconhecida como a psicóloga mais influente do século XX é um argumento que as feministas podem usar a favor ou contra si?

Pode estar relacionado... Embora alguns destes críticos já fossem críticos muito antes de eu ter sido votada como a psicóloga mais influente do século XX, seja por que motivo for.

Talvez porque o seu trabalho possa fazer com que tantas pessoas repensem sobre muitas das suas certezas?

Eu espero que sim. Porque tudo o que temos de fazer é limpar as lágrimas do luto das pessoas falsamente acusadas e das suas famílias. E das pessoas inocentes que estão presas. Temos de analisar que há um outro lado nesta história.

... Para nos focarmos, em vez disso, nos casos em que há vítimas realmente?

Exatamente.

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