Putin considera "construtiva" e "sem animosidades" cimeira com Biden

O Presidente russo afirmou que "as duas partes mostraram o desejo de se entender e de procurar formas de reconciliar posições".

O Presidente russo, Vladimir Putin, considerou esta quarta-feira que o seu primeiro encontro com o homólogo norte-americano, Joe Biden, foi "construtivo", tendo em pano de fundo as tensões bilaterais.

"Não houve qualquer animosidade", sublinhou Putin numa conferência de imprensa realizada em Genebra, onde decorreu a cimeira entre ambos.

"Em muitas questões as nossas avaliações divergem, mas as duas partes mostraram o desejo de se entender e de procurar formas de reconciliar posições", acrescentou.

Por outro lado, Putin indicou ter definido com Biden o regresso dos embaixadores dos dois países aos seus postos respetivos numa tentativa para diminuir as tensões bilaterais.

Os dois embaixadores foram chamados aos seus países no início do ano.

"[Os embaixadores] vão voltar ao seu local de trabalho. Quando exatamente é uma questão puramente técnica", declarou o Presidente russo na conferência de imprensa.

Putin adiantou também que os dois presidentes chegaram a um acordo para um diálogo em matéria de cibersegurança, numa altura em que Moscovo e Washington têm trocado acusações mútuas de ciberataques.

"Concordamos em iniciar consultas sobre segurança cibernética", disse Putin acrescentando, porém, que "o maior número de ataques cibernéticos no mundo vem do espaço americano", ao mesmo tempo que criticou a falta de cooperação de Washington no assunto.

As relações diplomáticas entre Moscovo e Washington deterioraram-se rapidamente desde que Biden assumiu o cargo em janeiro, acusando a Rússia, em particular, de ataques cibernéticos em série e de interferência eleitoral nos Estados Unidos.

Em março, a Rússia decidiu chamar o seu embaixador, Anatoly Antonov, depois de Biden ter descrito Putin como um assassino.

Depois foi a vez do embaixador dos Estados Unidos, John Sullivan, regressar a Washington para consultas, conforme sugerido pelo Kremlin.

Em abril, os Estados Unidos expulsaram dez diplomatas, numa nova onda de sanções após novos ataques cibernéticos atribuídos a Moscovo.

A Rússia retaliou com novas expulsões e proibiu a embaixada dos Estados Unidos em Moscovo de empregar cidadãos estrangeiros, medida que restringiu severamente as atividades da embaixada.

Em maio, a Rússia declarou oficialmente os Estados Unidos como um "Estado hostil". O outro país que figura nessa lista é a República Checa.

O Presidente russo disse que os dois países "só precisam de abandonar várias insinuações, sentar-se como especialistas e começar a trabalhar no interesse dos Estados Unidos e da Rússia".

"A maioria dos ataques cibernéticos no mundo são realizados a partir do reino cibernético dos Estados Unidos", com Canadá e Grã-Bretanha em segundo e terceiro planos, sublinhou.

Outro tema "quente" da agenda da cimeira foi a questão nuclear, com Putin a adiantar que Biden também concordou em iniciar consultas para substituir o último tratado remanescente (New Start) entre os dois países que limita as armas nucleares, que expira em 2026.

Washington interrompeu as negociações com Moscovo em 2014 em resposta à anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia e pela intervenção militar em apoio aos separatistas no leste da Ucrânia.

As negociações foram retomadas em 2017, mas ganharam pouca força e não produziram um acordo sobre a extensão do novo tratado START durante a administração norte-americana de Donald Trump, que deixou a Presidência dos Estados Unidos em janeiro deste ano.

Por outro lado, Putin assegurou que os Estados Unidos não devem preocupar-se em relação a uma militarização russa no Ártico, região estratégica onde a Rússia não tem escondido as suas ambições.

"As preocupações da parte norte-americana relativas a uma militarização não têm nenhum fundamento. Pelo contrário, estou convencido que devemos cooperar", sublinhou o Presidente russo.

Na conferência de imprensa, Putin indicou estar a analisar "possíveis compromissos" relacionados com uma troca de prisioneiros com os Estados Unidos.

O ex-soldado Paul Whelan, condenado em 2020 na Rússia a 16 anos de prisão por espionagem, pediu a Biden para organizar uma troca de prisioneiros, afirmando que foi vítima de diplomacia de reféns.

Outro norte-americano, Trevor Reed, foi condenado a nove anos de prisão por bater em agentes policiais russos quando estava embriagado.

Em contrapartida, Moscovo poderia procurar obter o regresso de um conhecido traficante de armas preso nos Estados Unidos, Viktor Bout, e de um piloto de avião condenado por tráfico de drogas, Konstantin Yarochenko.

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