Putin "está zangado e frustrado" e pode aumentar intensidade dos ataques na Ucrânia

Os responsáveis pelos serviços de informação norte americanos estiveram esta tarde no senado para analisar a situação na Ucrânia e as ameaças ao mundo.

Os diretores da CIA, FBI, da Agência de Informações da Defesa e da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), entre outros, estiveram perante o comité de inteligência para esclarecerem as dúvidas dos senadores. A ameaça nuclear foi o problema que mais perguntas provocou. Os especialistas levam a sério a ameaça feita por Vladimir Putin, mas não acreditam que as armas nucleares sejam usadas de ânimo leve ou muito em breve.

O diretor da CIA admitiu que o presidente russo possa dar esse passo, mas só no caso de um conflito direto entre a Rússia e a Nato. A diretora dos serviços nacionais de informações considerou o anúncio feito por Putin, de que punha o arsenal nuclear em alerta máximo, estranho e realçou que nunca tinha acontecido antes, por isso é preciso estar atento. Para Avril Haines, no entanto, a ameaça serve essencialmente para travar ações mais diretas do ocidente.

Todos os diretores admitiram que o perigo é hoje maior do que em qualquer outro período da história.

Sobre a invasão da Ucrânia, o diretor da CIA destacou o facto de ter sido provocada por um misto de ambição, vingança e excesso de confiança. William Burns lembrou que Putin contou que a França e a Alemanha estivessem distraídas com as presidenciais e transferência de poderes entre chanceleres, e confiou nas capacidades económicas e militares do país. "Ele acreditou que tinha conseguido proteger a economia de todas as sanções, por exemplo comprando divisas, estava também confiante de que a modernização das forças armadas permitiria uma vitória rápida e sem grandes custos humanos," explicou Burns.

O diretor da CIA adiantou que a operação, até este momento, está a ser um falhanço. A Rússia queria ocupar Kiev em dois dias, mas ao fim de todo este tempo ainda nem conseguiu cercar a capital.

Avril Haines, directora dos serviços nacionais de informações, que supervisiona todas as agências, disse que a Rússia foi surpreendida pela resistência, "Moscovo subestimou a força da resistência ucraniana e o grau dos desafios colocados aos militares russos." Haines adiantou que o plano foi mal preparado, o reabastecimento das tropas não está a responder às necessidades e a moral das tropas é baixa.

A diretora disse ainda que Putin não esperava a reação na Rússia, "a crise económica que o país está a atravessar exacerbou a oposição interna à decisão do presidente de avançar para a guerra."

Haines adiantou que os serviços secretos acreditam que apesar de tudo, Putin não vai recuar e vai aumentar a violência do conflito. Esta é uma opinião partilhada pelo diretor da CIA que defende que Putin não está satisfeito. "Neste momento, Putin está zangado e frustrado. É provável que reforce a ofensiva para derrotar as forças ucranianas sem qualquer respeito pelos civis."

Burns, que foi embaixador em Moscovo entre 2005 e 2008, acrescentou que as posições do presidente foram endurecendo ao longo dos anos, mas ele não é louco. O facto de o círculo mais próximo não o contrariar fez com que seja um líder com quem é difícil lidar.

Interrogado sobre se, para ele, Putin é um génio, como defende Donald Trump, ou um tirano cruel, Burns não teve duvidas, "penso que tirano cruel se aproxima mais da realidade."

A grande dúvida dos serviços secretos americanos é a forma como Putin vai resolver este conflito. Eles pensam que o chefe de estado russo não tem um plano alternativo, apostou tudo numa vitória rápida que não se concretizou e, mesmo que ganhe militarmente, não tem capacidade para manter um regime pró russo na Ucrânia. Putin tem, no entanto, uma alternativa: pode insistir na realidade alternativa declarando, a nível interno, uma vitória militar que não existiu.

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