"Questão bilateral" entre Espanha e Marrocos. EUA evitam pronunciar-se sobre Ceuta

A administração norte-americana, liderada por Joe Biden, disse, no entanto, que os Estados Unidos "estão cientes" do que está a acontecer.

A administração dos Estados Unidos evitou esta quarta-feira comentar a crise migratória em Ceuta por entender que se trata de uma questão bilateral entre Espanha e Marrocos.

Um porta-voz da administração norte-americana, liderada por Joe Biden, disse à agência noticiosa espanhola EFE que os Estados Unidos "estão cientes" do que está a acontecer na região autónoma espanhola, assunto que diz respeito aos dois países.

A pressão migratória na fronteira de Ceuta com Marrocos diminuiu hoje substancialmente, três dias depois da entrada sem precedentes de cerca de 8.600 imigrantes ilegais, cuja maior parte, cerca de 5.600, foram devolvidos a Marrocos.

A diminuição da tensão entre Espanha e Marrocos também diminuiu face à presença de unidades antimotim das forças de segurança marroquinas, que cumprem ordens de Rabat, que decidiu reativar o controlo fronteiriço.

Terça-feira, o Alto Representante para a Política Externa da União Europeia, Josep Borrell, sublinhou ter chamado a atenção para a "dimensão europeia" dos incidentes por afetarem fronteiras externas da UE.

Ceuta e Melilla, as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África, são regularmente palco de tentativas de entrada de migrantes, mas a maré humana de segunda-feira não tem precedentes.

A origem desta última crise entre Espanha e Marrocos está relacionada com a permanência em Madrid do secretário-geral da Frente Polisário, Brahim Ghali, por motivos de saúde.

A Frente Polisário, considerada como um grupo terrorista por Rabat, reivindica o direito à autodeterminação no Saara Ocidental, território que foi colónia espanhola e posteriormente ocupado pelo Marrocos.

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