Quim Torra acusa Estado espanhol de "golpe" e apela ao "colapso democrático"

Governante foi impedido pelo Supremo espanhol de desempenhar o cargo de presidente da Catalunha por ano e meio.

O presidente inabilitado da Catalunha (Espanha), Quim Torra, denunciou esta segunda-feira o "golpe arquitetado" pelo Estado com o objetivo de o destituir, e considerou que a única maneira de a região alcançar a independência é "através do colapso democrático".

Durante uma declaração aos jornalistas no Palau de la Generalitat, em Barcelona, Torra criticou, citado pela agência espanhola Efe, o "golpe arquitetado pelo Estado", acrescentando que "a única forma de avançar é através do colapso democrático" com vista à independência da Catalunha e para "deixar para trás o regime de 1978".

Ladeado pelos vereadores, a declaração de Quim Torra ocorreu depois de uma reunião com o Governo espanhol.

A reunião decorreu pouco depois de o governante ter recebido a notificação oficial da decisão do Supremo Tribunal de Espanha, que confirma a inabilitação de Torra enquanto presidente da região por desobediência.

O Supremo Tribunal espanhol anunciou a confirmação da inabilitação por um ano e meio do presidente do governo regional da Catalunha, Quim Torra, por desobediência à junta eleitoral central.

O acórdão, aprovado por unanimidade, obriga Torra a abandonar o cargo, durante um ano e meio, alegando que o presidente do governo regional desobedeceu de forma "persistente e obstinada" à junta eleitoral central, que garante a vigilância dos atos eleitorais em Espanha.

Quim Torra admitiu o ato de desobediência, durante o julgamento, declarando que não acatou a ordem da junta eleitoral que o obrigara a retirar as faixas de apoio aos presos do processo político que haviam sido colocadas em prédios públicos, durante o período eleitoral.

Quim Torra, que por causa desta decisão está impedido de exercer o cargo de líder do executivo catalão, apelou, por isso, às forças independentistas na região para converterem as próximas eleições em "um novo referendo" à independência.

As eleições devem pressupor um "ponto de inflexão", acrescentou.

Os cidadãos catalães deverão escolher entre "a democracia e a liberdade ou a repressão e imposição", ou seja, entre "a república catalã do compromisso cívico ou a monarquia espanhola das bandeiras e do exército".

O presidente catalão inabilitado observou também que, embora o movimento independentista "não esteja em condições de terminar o caminho" em direção a uma república, isso não significa que tenha "recuado", uma vez que a soberania "não tem medo das urnas" de voto.

Torra disse ainda que "não será nenhum obstáculo no caminho para a independência" e garantiu que vai continuar a trabalhar "sem descanso" onde puder "ser útil".

Também hoje, os partidos e movimentos independentistas da Catalunha reagiram com indignação à confirmação de inabilitação do presidente do governo regional, Quim Torra, considerando que se trata de "atentado à democracia".

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