"Rebeldes do corona." Manifestantes contra restrições em confronto com a polícia na Alemanha e na Suíça

Suíça e Alemanha são este sábado cenários de manifestações contra as restrições impostas devido à pandemia. Em Cassel, cidade alemã, houve mesmo confrontos entre os manifestantes e a polícia.

Confrontos eclodiram este sábado entre a polícia e manifestantes contra as medidas tomadas no âmbito do combate à Covid-19 em Cassel, uma cidade no centro da Alemanha, durante um dos maiores protestos desde o início do ano neste país.

Vários milhares de manifestantes reuniram-se numa praça no centro de Cassel, sem distanciamento físico e sem máscara, tendo um grupo tentado forçar a passagem através de um cordão policial o que levou as autoridades a dispersá-los usando gás pimenta, observou um jornalista da AFP.

"Não é assim que um protesto pacífico deve ser", escreveu a polícia do norte de Hesse, um dos estados regionais da Alemanha, numa mensagem divulgada na rede social Twitter.

Na mensagem, a polícia acusa os manifestantes de "ataques repetidos" contra funcionários dos serviços de emergência e afirma que não tolerará tais ataques, acrescentando ter preparado um veículo equipado com canhão de água.

O protesto realizado neste sábado foi convocado pelo movimento "Querdenker" ou "Anti-conformista", que organizou algumas das maiores manifestações "anti-corona" (contra as restrições impostas para combater a Covid-19) na Alemanha desde o início da pandemia.

O movimento reúne membros da extrema-esquerda, seguidores de teorias da conspiração, críticos da vacinação, bem como partidários da extrema-direita.

Alguns manifestantes mostravam cartazes onde se lia "fim do confinamento" e "rebeldes do corona".

Muitas outras cidades alemãs registaram protestos semelhantes, mas em menor escala, no último fim de semana, tendo como pano de fundo a terceira vaga de Covid-19, confirmada no país apesar das medidas restritivas impostas durante meses para conter a propagação da doença.

A Alemanha contabilizou 16 mil novos casos de infeção e 207 mortes nas últimas 24 horas, de acordo com o Instituto Robert Koch.

A incidência acumulada de Covid-19 na Alemanha nos últimos sete dias voltou a subir e está próximo de 100 novos casos por 100.000 habitantes, nível que, a manter-se, implicará um passo atrás na reabertura da sociedade alemã.

Segundo aquele instituto alemão, a incidência situa-se hoje nos 99,9 casos por cada 100.000 habitantes, quando sexta-feira a taxa era de 95,6 e, na quinta-feira, de 90. Há uma semana, a taxa situava-se nos 76,1.

Em sete dias, segundo o RKI, a Alemanha contabilizou 83.121 novos contágios.

A chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu na sexta-feira, após uma reunião por videoconferência com os chefes de governo dos estados federados para falar sobre a campanha de vacinação, que será adotado um "travão de emergência" caso a incidência ultrapasse as 100 infeções por 100 mil habitantes, o que implicará o reintrodução de parte das restrições, que irá afetar sobretudo o comércio não essencial, reaberto com condicionamentos a 3 deste mês.

Dezenas de milhares de pessoas também protestaram este sábado na cidade suíça de Liestal, exigindo o fim das medidas de restrição impostas para conter a pandemia de Covid-19.

Entre três mil e cinco mil pessoas, entre elas algumas vestidas com macacões brancos, participaram numa "manifestação silenciosa" nesta cidade do cantão de Basel, norte do país, segundo o número de participantes estimado pelos jornalistas locais.

Muitos manifestantes não usavam máscaras, sendo que alguns seguravam cartazes em que se dizia: "Chega!", "Vacinas matam" ou "Que o amor seja o vosso guia, não o medo".

Os manifestantes acreditam que o Governo suíço está a usar medidas "ditatoriais" para impor restrições sanitárias, incluindo o encerramento de restaurantes e bares, com o objetivo de travar a disseminação do vírus SARS-CoV-2.

Num comunicado divulgado antes do início do protesto, os manifestantes, que receberam a permissão por parte da polícia para se reunirem, acusavam as autoridades de terem feito "refém" o país por "mais de um ano".

"Estas medidas não fazem sentido. Para proteger 1% da população em risco, destroem a vida de 99% da população", lamentavam os manifestantes no documento distribuído.

Uma manifestação semelhante realizou-se no início deste mês, em Chur, no leste da Suíça, tendo reunido mais de 4.000 pessoas.

Na sexta-feira, o governo federal optou por ser mais cauteloso perante a deterioração da situação de saúde por causa da pandemia de Covid-19.

Nesse sentido, anunciou o adiamento da reabertura dos restaurantes e bares e que as demais restrições se mantêm em vigor, apesar da forte pressão dos profissionais do setor e dos cantões.

Por outro lado, em termos de reuniões privados, o número máximo permitido oscila entre cinco e dez pessoas.

As autoridades suíças estão preocupadas com o risco de um aumento "descontrolado" do número de casos de pessoas infetadas, alegando que esse número é "atualmente demasiado para permitir um maior flexibilidade".

A Suíça, que tem 8,6 milhões de habitantes, registou cerca de 578 mil casos de infetados e 9.455 mortes devido à doença.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 2.702.004 mortos no mundo, resultantes de mais de 122,2 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A COVID-19

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de