Refugiados afegãos na UE. "Retórica populista e restritiva continua a imperar"

Para a investigadora Susana Ferreira, Portugal deve seguir a política de abertura que tem vindo a cumprir.

A União Europeia ainda tem muito que aprender com a última crise migratória de 2015. A opinião é de Susana Ferreira, investigadora da Universidade de Nebrija, em Madrid. Há já alguns países que se mostraram indisponíveis para receber refugiados afegãos, como a Grécia e a Turquia, que estão mesmo a erguer muros para evitar a entrada de quem foge do Afeganistão.

Para Susana Ferreira, as ideias populistas continuam a falar mais alto.

"Vemos, claramente, pelas reações dos diferentes líderes europeus que a retórica populista e restritiva continua a imperar contra os princípios consagrados nos tratados da União Europeia e reforçados no Pacto das Migrações, aprovado em setembro de 2020, que falava já na criação de um mecanismo ativo de solidariedade e prevê ações flexíveis para os Estados membros", afirma em declarações à TSF.

Susana Ferreira considera "que desde 2020 os passos que se deram neste sentido foram poucos ou quase inexistentes, pelo que a nível de lições que se pudessem tirar da crise de 2015 ainda há muito a aprender".

A investigadora da área de relações internacionais da Universidade de Nebrija, em Madrid, indica que, no entanto, esta crise de refugiados afegãos é diferente daquela que a Europa tem vivido com a Síria, sublinhando que é "uma situação e um cenário muito diferente". "Vai ser difícil ver o fluxo de refugiados que vimos em 2015 a entrar no território europeu", admite.

"Temos de ter em conta a questão geográfica que é muito importante. A distância do Afeganistão ao Mediterrâneo implica uma rota de 4500 quilómetros em que temos que cruzar o Irão. Não podemos esquecer que nestas situações de crises humanitárias são sempre os vizinhos aqueles que receberão maior número de refugiados, como é o caso da Turquia relativamente aos refugiados da Síria", explica.

Já quanto ao papel de Portugal no acolhimento de refugiados afegãos, a investigadora Susana Ferreira defende que o país deve seguir a política de abertura que tem vindo a cumprir.

"Penso que Portugal se tem destacado sempre nos últimos anos pelas políticas de acolhimento que tem implementado. Tem sido dos países que, desde o primeiro momento, no âmbito da União Europeia, tem estado na linha da frente, defendendo políticas de imigração e de acolhimento de refugiados cada vez mais inclusivas em que deve prevalecer uma resposta que impera a defesa e a garantia dos direitos humanos destes cidadãos", refere.

Do ponto de vista de Susana Ferreira, "Portugal tem que continuar a manter esta posição firme nesse sentido no seio da União Europeia e a nível de acordos bilaterais e esquemas de acolhimento e de repatriamento".

A investigadora diz que, neste momento, o principal objetivo tem de passar por retirar do Afeganistão o maior número de pessoas até dia 31 de agosto, uma vez que depois dessa data não está garantida a segurança necessária para o fazer.

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