Reino (des)Unido? Escócia e Irlanda do Norte querem caminho diferente de Londres

Na Escócia, os eleitores mostraram claramente que apoiam o partido nacional que quer manter-se na UE. Na Irlanda do Norte, o partido unionista perdeu dois deputados e os independentistas estão agora em vantagem.

Na Escócia, o Partido Nacional Escocês (SNP), liderado por Nicola Sturgeon, teve uma vitória esmagadora. A formação politica conseguiu 48 dos 59 deputados que representam a Escócia no Parlamento em Londres. O SNP ganhou 13 novos representantes em relação às eleições de 2017.

Os números desta vitória dão a Sturgeon mais legitimidade para, quando o Reino Unido deixar a União Europeia, exigir um novo referendo sobre a independência da Escócia. Na consulta popular realizada em 2014, a Escócia votou para permanecer no Reino Unido.

No manifesto com que se apresentou a estas eleições, o partido nacional defendia que devia ser realizado outro referendo de independência se houvesse uma mudança real entre as ideias defendidas pelos escoceses e os ingleses. Nicola Sturgeon argumentou já que o Brexit constitui uma divergência, dado que 62% dos escoceses votaram para ficar na União Europeia e apenas 38% querem sair. Durante a campanha Sturgeon queixou-se muitas vezes de que a voz da Escócia não era escutada em Londres.

Durante a noite eleitoral, a líder do SNP deu o que falar nas redes ao ter sido filmada a celebrar a derrota da dirigente dos Liberal Democratas, Jo Swinson.

A decisão de um referendo não depende, no entanto, dos escoceses. O governo britânico liderado por Boris Johnson tem a palavra final e o primeiro-ministro já afastou, completamente, a ideia, dizendo que o Reino Unido é composto por um quarteto fantástico: Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte.

Feitas as contas, na Escócia o SNP conquistou 48 lugares, os conservadores elegeram seis, os Liberal Democratas três e o Partido Trabalhista apenas um.

Um obstáculo chamado Irlanda do Norte

Na Irlanda do Norte, que representa um dos obstáculos mais difíceis de ultrapassar com a saída do Reino Unido da União Europeia, os unionistas perderam terreno.

O partido unionista democrático perdeu dois deputados e, com a maioria absoluta de Johnson, deixou de ter o Partido Conservador a depender dos seus votos. Pela primeira vez na história, os deputados nacionalistas vão estar no parlamento em número superior ao dos unionistas.

Há dois partidos que saem vitoriosos desta quinta-feira eleitoral - o Partido Social Democrata e a Aliança, que salta a fronteira entre as duas principais comunidades no país - e conquistaram três lugares.

No momento da eleição de Stephen Farry, o novo deputado do Aliança, deixou uma mensagem, em forma de aviso, para o primeiro-ministro britânico: os irlandeses do Norte querem ficar na União Europeia e mostraram isso na votação.

Uma maioria de conservadores em Westminster significa que o Brexit pode avançar sem serem consultadas as diversas regiões.

É preciso relembrar que os partidos nacionalistas fizeram um acordo em North Belfast e o Partido Social Democrata concordou, pela primeira vez, em não se candidatar, dando a vitória ao Sinn Fein. O acordo parece ter beneficiado os dois partidos com o SDLP a derrotar o candidato dos unionistas em South Belfast.

As eleições permitiram ao DUP (unionistas) elegerem oito deputados. O Sinn Fein mantém os sete, o Partido Social Democrata vai ter dois e a Aliança tem um.

Acompanhe aqui ao minuto tudo sobre as eleições no Reino Unido

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