Reino Unido junta-se aos EUA na retirada de diplomatas de Kiev

Há dez mil soldados de Moscovo concentrados na fronteira da Rússia com a Ucrânia, o que leva a NATO a acusar os russos de quererem invadir de novo o país.

Os funcionários da embaixada do Reino Unido em Kiev começaram a sair da Ucrânia face à "crescente ameaça" de uma invasão da Rússia, anunciou esta segunda-feira o Governo britânico, um dia depois de uma decisão idêntica dos Estados Unidos.

"Alguns funcionários da embaixada" e os seus familiares "estão a retirar-se de Kiev em resposta à crescente ameaça da Rússia", segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

O ministério disse que a embaixada em Kiev "permanece aberta e continuará a levar a cabo as suas tarefas essenciais".

O anúncio do Reino Unido segue-se à decisão dos Estados Unidos de ordenar às famílias dos seus diplomatas que abandonem a Ucrânia "devido à ameaça persistente de uma operação militar russa".

O pessoal local e não-essencial pode deixar a embaixada se desejar e os norte-americanos residentes na Ucrânia "devem agora considerar" abandonar o país vizinho da Rússia em voos comerciais ou por outros meios de transporte, disse o Departamento de Estado num comunicado.

"A situação de segurança, especialmente ao longo das fronteiras ucranianas, na Crimeia ocupada pela Rússia e na região de Donetsk, controlada pela Rússia, é imprevisível e pode degradar-se a qualquer momento", acrescentou.

A Rússia concentrou cerca de dez mil soldados na sua fronteira com a Ucrânia nos últimos meses, o que levou os Estados Unidos e os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) a acusar Moscovo de pretender invadir novamente o país vizinho, depois de ter ocupado e anexado a Crimeia em 2014.

Em Bruxelas, o chefe da diplomacia da União Europeia, o espanhol Josep Borrell, disse hoje que a UE não está a pensar ordenar a retirada do seu pessoal diplomático da Ucrânia, a menos que os EUA partilhem "mais informação" que justifique tal medida.

Borrell lembrou que o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, vai participar hoje, por videoconferência, numa reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE sobre a situação de segurança na Ucrânia.

"Blinken vai explicar-nos a razão desse anúncio. Nós não vamos fazer o mesmo, pois não temos razões específicas para tal. Penso que não devemos dramatizar. Enquanto as negociações prosseguirem, e elas estão a prosseguir, não creio que tenhamos de deixar a Ucrânia", disse Borrel aos jornalistas ao entrar para a reunião.

"Mas talvez Blinken tenha mais informação para partilhar connosco", acrescentou o Alto Representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança.

Borrel disse que a UE tem mantido "uma forte coordenação" com os EUA relativamente à Ucrânia, "sendo informada antes, durante e depois dos encontros" mantidos pelos norte-americanos para alcançar uma solução negociada e pacífica com a Rússia.

Portugal está representado na reunião em Bruxelas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

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