Reportagem TSF: "Putin é o Hitler do século XXI." Ataque a prédio em Kiev é "puro terrorismo"

Depois do ataque a uma zona residencial da capital ucraniana, esta manhã, é pouca a esperança que os ucranianos depositam nas negociações de paz marcadas para esta segunda-feira.

Em Kiev, os bombeiros fazem a operação de rescaldo, após o ataque a um prédio residencial de nove andares, a onze quilómetros do centro da capital, que, esta manhã, pelas 5h20, fez duas vítimas mortais. Houve ainda 12 pessoas que ficaram feridas, três das quais tiveram de ser assistidas no hospital. O local foi evacuado e pelo menos 63 pessoas tiveram de ser retiradas. Mais de 600 pessoas vivem no complexo, composto por 144 apartamentos.

Junto às operações de rescaldo, o enviado especial da TSF a Kiev, Pedro Cruz, encontrou Oleksiy Honcharenko​​​​​​, deputado do Parlamento ucraniano, vestido de uniforme militar. Faz parte da linha de defesa civil.

"Isto é uma zona residencial. Aqui só há uma escola, um campo de futebol e os edifícios onde moram as pessoas", sublinha o deputado, em declarações ao repórter da TSF. "Não há alvos militares aqui."

Oleksiy Honcharenko nota que as operações de resgate ainda decorrem, pelo que o número de mortes neste ataque pode ser "muito superior", e fala num ato de "puro terrorismo contra os civis" na Ucrânia, por parte das forças russas.

"Putin é o Hitler do século XXI. Ele tem de ser parado agora ou irá continuar a avançar com a guerra. Irá para os Estados bálticos, para a Polónia,... Ele não vai parar. É tão perigoso para o mundo inteiro", declara o deputado.

Oleksiy Honcharenko afirma que os ucranianos estão a lutar não só por si mesmos, mas pelo mundo livre e precisam de ajuda. "Com armas, e antes de tudo, com defesa e equipamento aéreo. Porque eles estão a usar os céus para matar mulheres e crianças", alerta.

Quando questionado pelo repórter da TSF sobre as expectativas que existem para as negociações de paz, esta segunda-feira, entre as delegações ucraniana e russa, o deputado assume que não antevê grandes progressos.

"Vocês veem o que tem sido este cessar-fogo. Veem que é só continuar a matar pessoas aqui", constata Oleksiy Honcharenko. "Para dizer a verdade, estou pessimista quanto a estas negociações de paz."

Ainda assim, para os ucranianos, a esperança é a última a morrer. "A esperança é tudo o que temos. Esperemos que haja paz, nós queremos a paz, mas não acredito que Putin esteja pronto para parar. Não acredito nisso."

A Rússia lançou a 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já causou pelo menos 564 mortos e mais de 982 feridos entre a população civil e provocou a fuga de cerca de 4,5 milhões de pessoas, entre as quais 2,5 milhões para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

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