Representante da ONU viaja para São Tomé após tentativa de golpe de Estado

Quatro homens assaltaram esta madrugada o quartel na capital são-tomense, alegadamente com a cumplicidade de militares, e fizeram refém o oficial de dia, que ficou gravemente ferido.

O representante especial da ONU para a África Central e o presidente da organização regional CEEAC viajam este sábado para São Tomé, após uma tentativa de golpe de Estado ocorrida na madrugada desta sexta-feira, disse à Lusa fonte diplomática.

O representante especial das Nações Unidas Abdou Abarry e o presidente da comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), o angolano Gilberto Veríssimo, vão inteirar-se junto das autoridades nacionais sobre o ataque ao quartel militar.

Pelo menos quatro pessoas morreram na sequência da ação, que o primeiro-ministro, Patrice Trovoada, identificou como "tentativa de golpe de Estado".

Segundo informações divulgadas pelo chefe do Governo, cerca das 00h40 locais (mesma hora em Lisboa), quatro homens, civis, assaltaram o quartel na capital são-tomense, alegadamente com a cumplicidade de militares. Os atacantes fizeram refém o oficial de dia, que ficou gravemente ferido após agressões, mas encontra-se livre de perigo.

O ataque foi neutralizado pouco depois das 06h00, após intervenção dos fuzileiros.

O ex-presidente da Assembleia Nacional Delfim Neves e Arlécio Costa, antigo oficial do 'batalhão Búfalo' que foi condenado em 2009 por uma alegada tentativa de golpe de Estado, foram alegadamente identificados pelos assaltantes como mandantes do ataque, tendo ambos sido detidos pelos militares, nas suas respetivas casas, ao início da manhã, e levados para o quartel.

Arlécio Costa e três dos assaltantes morreram, disse à Lusa fonte ligada ao processo, ao início da tarde.

"Não se trata de um roubo, não se trata de um furto. Trata-se de um ataque com armas de guerra às Forças Armadas do país e temos primeiro que resolver esse problema", adiantou hoje de manhã o primeiro-ministro.

O chefe do Governo disse que a "tentativa de golpe" é uma situação "de extrema gravidade", mas assegurou então que "as Forças Armadas têm a situação sob controlo".

Patrice Trovoada pediu "mão firme" da justiça para os responsáveis da tentativa de golpe, depois de ter anunciado a detenção de Delfim Neves e de Arlécio Costa pelos militares.

"Espero que a justiça faça o seu trabalho, São Tomé e Príncipe não merece todos estes problemas. O povo é soberano, o povo escolheu esta equipa para conduzir os destinos" do país, salientou.

Patrice Trovoada, líder da Ação Democrática Independente (ADI), assumiu há duas semanas o cargo de primeiro-ministro, pela quarta vez, na sequência da vitória com maioria absoluta nas legislativas de 25 de setembro.

Delfim Neves presidiu ao parlamento são-tomense durante o anterior mandato (2018-2022) e candidatou-se às legislativas de setembro com o recém-criado Basta, tendo sido um dos dois eleitos para o parlamento por este movimento. Encontra-se atualmente com o mandato suspenso, tendo sido substituído na Assembleia Nacional.

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