República Checa devolve nacionalidade a Milan Kundera 40 anos depois

Demorou quarenta anos, mas a República Checa restituiu o passaporte a Milan Kundera. O escritor, agora com 90 anos, tinha-se naturalizado o francês após ser privado da nacionalidade original.

O escritor de 90 anos Milan Kundera recuperou a cidadania checa que perdera em 1979. O certificado oficial foi entregue pelo embaixador da República Checa em França, no dia 28 de novembro, durante uma cerimónia privada, sem hinos nem bandeiras, na casa parisiense de Kundera.

O escritor nasceu em Brno, a segunda maior cidade checa, em abril de 1929. Militante do Partido Comunista, expulso em 1970, o escritor teve permissão do regime checoslovaco para emigrar para França, em 1975, onde deu aulas na Universidade de Rennes. A autorização foi renovada dois anos depois mas, em 1979, após a publicação de trechos da obra O Livro do Riso e do Esquecimento no jornal francês Le Nouvel Observateur e uma entrevista ao jornal Le Monde, viu as autoridades checoslovacas retirarem-lhe a nacionalidade.

Em julho de 1981, logo após a eleição de François Mitterrand, o ministro socialista da Cultura Jack Lang, naturalizou-o francês. Depois da "Revolução de Veludo", em 1989, muitos dos checos que perderam a nacionalidade na sequência da "Primavera de Praga" conseguiram recuperar os documentos que atestavam a sua nacionalidade.

Não foi o caso de Milan Kundera, que entendia não precisar de concluir os procedimentos administrativos para obter algo que lhe havia sido retirado. O escritor também acreditava que "a nova elite no país, que rodeava o ex-presidente da Checoslováquia Vaclav Havel, não estava a seu favor ", disse à imprensa o embaixador checo em Paris, Petr Drulak.

Em meados de novembro de 2018, durante uma viagem a Paris, o primeiro-ministro checo Andrej Babis reuniu-se com o escritor. "Um gesto importante que acelerou as coisas", explicou Drulak.

O governante checo falou com a comunicação social no final do encontro: "Acabei de ter uma experiência inesquecível."

"Milan Kundera, um dos escritores mais famosos do mundo, autor 17 romances traduzidos em 44 idiomas, convidou-me a visitá-lo no seu apartamento em Paris e eu convidei-o a visitar a República Checa que não visita há 22 anos. Penso que merece a cidadania checa perdida após o exílio."

O autor de "A Insustentável Leveza do Ser" tem agora dupla nacionalidade.

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