Restaurantes franceses recorrem à justiça contra fecho definitivo

A França anunciou que restaurantes e bares vão continuar fechados a partir de 1 de dezembro. Dois em cada três estabelecimentos podem ter de fechar portas até ao final do ano.

O Executivo de Jean Castex garantiu que caso o número de contaminações da Covid-19 baixe em França, os comércios podem voltar a abrir a partir do dia 1 de dezembro. No entanto, bares e restaurantes devem permanecer fechados por tempo indeterminado.

Franck Delvau, co-presidente da União das Profissões da Indústria da Hotelaria, considera que "existe hoje uma rutura do princípio de igualdade", pelo facto de os refeitórios continuarem abertos, contrariamente aos restaurantes.

Desta feita "precisamos que nos expliquem porque é que a restauração, apesar de todas as medidas sanitárias rigorosas tomadas, deve permanecer fechada: porque é que não se apanha Covid nos refeitórios de empresas, mas se apanha Covid num restaurante", questiona Franck Delvau.

Este sentimento de desigualdade é o argumento do sindicato para apresentar um recurso à justiça, contra o encerramento obrigatório de bares e restaurantes desde o início do confinamento, que pode levar ao fecho de dois em cada três estabelecimentos até ao final do ano.

Franck Delvau recorda que "desde o mês de março, estivemos confinados, abrimos unicamente as esplanadas, os espaços interiores, tivemos depois um recolhimento obrigatório e agora um reconfinamento", e denuncia que não existem perspetivas para os profissionais do setor, porque "o Governo ainda não nos disse quando poderemos voltar a abrir: será dia 18 de dezembro? Em janeiro ou fevereiro?"

Sem medidas "como o perdão das rendas do último trimestre do ano", Franck Delvau teme que "30 a 50% dos profissionais sejam levados encerrar os seus estabelecimentos".

É o caso de Laurent, proprietário de um restaurante, que vai perder o restaurante. "Não temos direito ao subsídio de desemprego nem a nenhuma ajuda social, nada. Obrigam-nos a fechar as portas e não temos direito a nada. Tenho cinco filhos, e não tenho dinheiro a entrar na minha conta. Estou perdido, sou um lutador, lutei toda a minha vida. O que é que posso fazer? Vou perder tudo o que tenho", conta.

O sindicato União das Profissões da Indústria da Hotelaria espera que o recurso seja aprovado até ao próximo dia 20 de novembro. Segundo uma sondagem de quatro organizações (GNC, GNI, l"UMIH e SNRTC), 65,8% dos profissionais da restauração temem que este segundo confinamento os obrigue a fechar as portas.

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