Rússia e aliados vão enviar "forças de manutenção da paz" para o Cazaquistão

O objetivo é "estabilizar e normalizar a situação no país" que foi provocada por "interferência externa".

A Rússia e os aliados da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC) vão enviar "forças de manutenção da paz" para o Cazaquistão, a pedido desta ex-república soviética onde desde domingo decorrem violentos protestos.

O presidente da OTSC e também primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pachinian, revelou hoje através das redes sociais que esta aliança militar decidiu enviar "uma força coletiva de manutenção da paz".

Esta força, adiantou, estará no Cazaquistão por "um período limitado de tempo a fim de estabilizar e normalizar a situação neste país" que foi provocada por "interferência externa".

O Cazaquistão é desde 02 de janeiro palco de protestos em várias cidades, devido ao aumento do preço do gás, que se transformaram em distúrbios, resultaram na queda do Governo e levaram o chefe de Estado a decretar hoje o estado de emergência em todo o território do país.

A contestação popular foi desencadeada pelo aumento dos preços do gás liquefeito, um dos combustíveis mais utilizados nos transportes do país, de 60 tengues por litro (0,12 euros) para o dobro, 120 tengues (0,24 euros).

O Presidente do Cazaquistão, Kassym-Yomart Tokaïev, tinha pedido esta quarta-feira a ajuda da Rússia e dos seus aliados para reprimir os tumultos em curso no seu país, protagonizados por "terroristas", segundo ele, treinados no estrangeiro.

Além da Rússia, compõem o OTSC a Arménia, a Bielorrússia, o Quirguistão e o Tadjiquistão, além do próprio Cazaquistão.

"Devemos considerar este ataque ao Cazaquistão como um ato de agressão", acrescentou Kassym-Yomart Tokaïev, sustentando desta forma o pedido de ajuda à aliança.

As manifestações são raras no Cazaquistão, país autoritário onde os protestos têm de ser previamente aprovados pelas autoridades.

Segundo testemunhas citadas por agências locais, o aeroporto de Almaty foi invadido por manifestantes, montras de cafés e lojas foram partidas, caixas de multibanco saqueadas e vários carros incendiados.

A companhia russa Aeroflot cancelou o seu voo que fazia a ligação entre Moscovo e aquela cidade.

O país está a passar também hoje por um "apagão nacional na internet", escreveu na rede social Twitter o grupo de monitorização online NetBlocks, enquanto a agência AFP relatou a incapacidade de jornalistas e cidadãos do país cazaque em comunicarem pela internet ou por telemóvel.

Pelo menos oito membros da polícia e do exército foram mortos nos motins que abalam o Cazaquistão há vários dias, indicou o Ministério do Interior, citado pela imprensa local.

Segundo a mesma fonte, 317 membros da polícia e da Guarda Nacional foram feridos "pela multidão em fúria".

União Europeia e Estados Unidos pediram hoje "responsabilidade e moderação" às partes envolvidas nos protestos em curso no Cazaquistão.

O serviço diplomático da União Europeia (UE) espera que os protestos "permaneçam não violentos" e exortou as autoridades cazaques a "respeitarem o direito fundamental ao protesto pacífico".

Também o Governo dos Estados Unidos apelou hoje às autoridades do Cazaquistão para se "moderarem" e disse esperar que os protestos ocorram "de forma pacífica".

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, criticou ainda as "alegações absurdas" da Rússia sobre uma suposta responsabilidade dos Estados Unidos nos distúrbios no Cazaquistão, garantindo que é "absolutamente falso".

As Nações Unidas revelaram também que estão também a monitorizar a situação no Cazaquistão "com preocupação".

A ONU, liderada pelo diplomata português António Guterres, garantiu ainda que os seus funcionários destacados no país estão seguros, operacionais e em contacto com as autoridades.

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