Rússia envia cerca de 300 militares para a fronteira com a Turquia

Segundo um fotógrafo da agência de notícias AFP, um grande comboio de transporte de tropas com centenas de soldados agitando bandeiras sírias chegou durante a madrugada a Kobane, uma cidade no extremo norte da Síria.

A Rússia enviou cerca de três centenas de militares adicionais para a Síria para ajudar a patrulhar a fronteira com a Turquia após um acordo entre Moscovo e Ancara, informou esta sexta-feira o Ministério da Defesa russo.

O ministério russo indicou que cerca de 300 elementos da polícia militar chegaram à Síria para patrulhar as áreas do nordeste do país ao longo da fronteira com a Turquia e supervisionar a retirada dos combatentes curdos-sírios da região.

Aviões de carga militares também transportaram 20 veículos blindados para a missão, acrescentou o ministério.

O regime sírio e os seus aliados russos aceleraram esta sexta-feira o envio de tropas para a fronteira sírio-turca.

Segundo um fotógrafo da agência de notícias AFP, um grande comboio de transporte de tropas com centenas de soldados agitando bandeiras sírias chegou durante a madrugada a Kobane, uma cidade no extremo norte da Síria.

Depois de a Turquia invadir o nordeste sírio este mês, após a retirada das tropas norte-americanas desta região, Moscovo e Ancara fecharam um acordo dividindo o controlo desta área da Síria.

O envio de novas tropas russas - à medida que os soldados norte-americanos se retiram -- revela ainda mais como a situação na Síria mudou após a invasão da Turquia e os subsequentes desenvolvimentos.

Agora, a Turquia está autorizada a manter o controlo sobre uma parte significativa do nordeste da Síria, uma faixa de território junto à sua fronteira, que invadiu a 09 de outubro, juntamente com um pedaço maior da fronteira que a Turquia já detinha, capturado em incursões anteriores.

A Rússia referiu hoje que o batalhão adicional de polícia militar enviado para a Síria vem da Chechénia, uma região russa que sofreu duas devastadoras guerras separatistas no final dos anos de 1990 e início dos anos 2000, antes de Moscovo recuperar o controlo.

As tropas da Chechénia, conhecidas por um feroz espírito guerreiro, foram enviadas regularmente à Síria de forma rotativa nos últimos anos.

Os militares russos não divulgaram o número total do seu contingente na Síria e não disseram hoje quantas tropas estarão envolvidas na missão de patrulha na fronteira turca.

Sob o acordo Moscovo-Ancara, a Turquia manterá o controlo exclusivo de uma grande secção no centro da área de fronteira, a maior parte da qual foi capturada durante a sua invasão este mês, com o objetivo de tirar as forças curdas - aliadas dos Estados Unidos - de uma zona de segurança ao longo da fronteira.

O Governo sírio e a polícia militar russa devem controlar o restante da fronteira Síria-Turquia, com 440 quilómetros de extensão.

Ambas as forças devem garantir que os combatentes curdos-sírios, aliados dos EUA na luta contra o grupo do Estado Islâmico e que libertaram a maior parte da região deste grupo terrorista, se afastem a 30 quilómetros da fronteira.

Depois disso, a Rússia e a Turquia começarão patrulhas conjuntas ao longo de uma faixa mais estreita diretamente na fronteira turco-síria.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que os militares russos mantiveram contacto próximo com os combatentes curdos sírios, fazendo um "trabalho delicado" de coordenar a sua retirada das áreas de fronteira.

Peskov observou que os curdos se comprometeram a cumprir o acordo, acrescentando que o não cumprimento os colocaria em problemas.

Uma grande fatia do leste da Síria permanece nas mãos dos combatentes liderados pelos curdos. Isso inclui a maior parte dos campos de petróleo da Síria, que priva Damasco do controle de um recurso crucial e dá aos curdos sírios uma grande moeda de troca.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse que algumas tropas norte-americanas permanecerão para ajudar os curdos a "proteger" os campos de petróleo.

Os combatentes curdos capturaram os principais campos do grupo Estado Islâmico e, desde então, têm ajudado a financiar seu autogoverno vendendo o petróleo bruto, principalmente para o Governo sírio.

Moscovo argumentou que a presença de tropas dos EUA na Síria é ilegítima, pois eles não têm permissão de Damasco para ficar.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Ryabkov, disse que Moscovo está "preocupada com a mudança frequente dos sinais de Washington sobre os seus planos e intenções em relação à Síria".

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