Rússia está a enviar cereais ucranianos para a Turquia e Médio Oriente

MNE russo diz que está sobretudo nas mãos de Kiev criar condições para que seja possível o escoamento dos cereais que estão bloqueados nos portos do mar Negro e do mar de Azov.

Os pró-russos que controlam parte da região ucraniana de Zaporijia (sul) admitiram hoje que estão a enviar cereais para a Turquia e o Médio Oriente, ignorando acusações de Kiev de que se trata de produtos roubados.

"Enviamos cereais através da Rússia, os principais contratos são assinados com a Turquia. Os primeiros comboios já estão a viajar pela Crimeia até ao Médio Oriente", disse o chefe pró-russo de Zaporijia, Yevgeny Balitsky, ao canal estatal Rossiya-24, citado pela agência espanhola EFE.

As autoridades de Kiev alegam que os cereais são roubados pelas forças russas e que são transportados para a Síria e a Turquia através da Crimeia, a península ucraniana anexada pela Rússia em 2014.

A primeira remessa de cereais ucranianos seguiu por via ferroviária da cidade sob controlo russo de Melitopol, na região de Zaporijia, para a Crimeia em 11 vagões.

Balitsky, que foi nomeado por Moscovo após as tropas russas terem conquistado parcialmente a região de Zaporijia, disse que "quase 80%" deste território do sul da Ucrânia está sob controlo da Rússia e de milícias pró-russas.

Um outro líder local pró-russo, Vladimir Rogov, disse hoje à agência oficial TASS que a Rússia planeia expedir, esta semana, cereais ucranianos do porto ocupado de Berdiansk, também em Zaporijia.

A guerra na Ucrânia, que a Rússia invadiu em 24 de fevereiro, levou à suspensão da exportação de cereais ucranianos e afetou a venda de produtos russos, devido às sanções ocidentais contra Moscovo.

A situação tem provocado um aumento de preços a nível mundial, também potenciado pelas perturbações no fornecimento de gás e petróleo russo.

A União Europeia acusou a Rússia de estar a usar a questão alimentar como uma forma de chantagear o Ocidente para que alivie as sanções.

Em conjunto, segundo a revista britânica The Economist, a Ucrânia e a Rússia fornecem 28% do trigo consumido no mundo, 29% da cevada, 15% do milho e 75% do óleo de girassol.

Após uma reunião em Ancara com o seu homólogo russo, Serguei Lavrov, o chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, anunciou hoje a disponibilidade da Turquia para executar um plano que permita a distribuição de cereais da Rússia e da Ucrânia.

"Estamos a falar de um mecanismo a ser desenvolvido entre a ONU, a Rússia, a Ucrânia e a Turquia", disse Cavusoglu.

Admitiu, no entanto, que tal plano implicará a remoção de obstáculos às exportações russas previstas nas sanções.

"A segurança dos navios e do setor bancário tem de ser clarificada neste mecanismo", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia.

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