Rússia pede aos políticos libaneses moderação e trabalho conjunto

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo apela ao Governo formado por Najib Mikati para enfrentar este "perigoso desafio" e "evitar uma maior deterioração da situação do país".

A Rússia pediu esta sexta-feira às forças políticas do Líbano que "mostrem moderação" para que a situação não "se deteriore ainda mais" após os combates desencadeados na quinta-feira durante uma manifestação em Beirute que resultaram em seis mortos.

"Pedimos a todos os políticos libaneses que adotem [uma atitude] de moderação e prudência e continuem a trabalhar juntos de forma construtiva para resolver os problemas", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, em comunicado divulgado esta sexta-feira.

"Moscovo está extremamente preocupado com a crescente tensão política no Líbano", acrescentou o ministério, apelando ao Governo formado por Najib Mikati para enfrentar este "perigoso desafio" e "evitar uma maior deterioração da situação do país".

Apelos semelhantes foram feitos na quinta-feira pelos Estados Unidos, França e União Europeia.

Na quinta-feira, várias pessoas foram baleadas na sequência de um ataque de "francoatiradores" colocados em telhados da zona de Tayoune, na capital libanesa durante uma manifestação organizada pelos movimentos xiitas Hezbollah e Amal para exigir a demissão do juiz encarregado de investigar a explosão no porto de Beirute.

A situação levou o exército a intervir, isolando "a área e os seus acessos" e informando estar à procura "das pessoas que dispararam os tiros para as deter".

A manifestação ocorreu no mesmo local onde os familiares das vítimas da explosão no porto de Beirute se reúnem regularmente para exigir que a investigação seja concluída.

O protesto aconteceu depois de um tribunal ter rejeitado as exigências de dois ex-ministros para que o juiz Tarek Bitar fosse afastado, permitindo ao magistrado retomar as investigações.

Bitar foi forçado, na terça-feira, a suspender a investigação após reclamações dos membros dos movimentos xiitas, desencadeando a crise mais séria do novo Governo libanês, que entrou em funções há um mês.

O Hezbollah e o movimento Amal convocaram a manifestação para exigir a substituição do juiz, que está determinado a questionar vários políticos de todos os quadrantes, incluindo os dois ex-ministros do Amal.

A investigação em causa, que já dura há 14 meses, foi iniciada para determinar os responsáveis pela explosão que aconteceu a 04 de agosto de 2020 no porto de Beirute e que provocou 214 mortos, mais de 6.500 feridos e a destruição de vários bairros da cidade.

A explosão foi causada pelo armazenamento sem segurança de uma enorme quantidade de nitrato de amónio.

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