Rússia qualifica como "factualmente incorretas" informações sobre acordo com Ucrânia

O alegado acordo, divulgado pelo jornal Financial Times, envolveria a renúncia da Ucrânia à adesão à NATO e a acolher bases militares estrangeiras.

A Rússia descreveu como "factualmente incorreta" a informação sobre um plano de paz que estaria a negociar com a Ucrânia, que previa um cessar-fogo, retirada das tropas russas e neutralidade ucraniana face à NATO.

O plano, de 15 pontos, foi divulgado pelo jornal britânico Financial Times, na quarta-feira, citando três fontes envolvidas nas negociações em curso entre representantes da Ucrânia e da Rússia.

O porta-voz do Kremlin (Presidência russa), Dmitri Peskov, disse que o plano divulgado pelo jornal britânico "contém muitas compilações e informações que são do domínio público sobre as questões que estão na agenda" das negociações.

"Mas está tudo incorretamente compilado e factualmente incorreto. Há elementos corretos, mas em geral, isto não é verdade", disse Peskov, no seu encontro diário com a imprensa.

Peskov não precisou os pontos corretos e os incorretos, remetendo quaisquer informações para quando houver progressos nas negociações.

"O trabalho continua", acrescentou, citado pela agência espanhola EFE.

O Financial Times disse que os negociadores discutiram, na segunda-feira, um projeto de acordo que envolveria a renúncia da Ucrânia à adesão à NATO e a acolher bases militares estrangeiras em troca de proteção de países como os Estados Unidos, a Turquia e o Reino Unido.

O chefe da delegação ucraniana, o conselheiro presidencial Mykhailo Podoliak, disse na quarta-feira, na rede social Twitter, que o projeto de acordo divulgado pelo jornal britânico representa apenas as exigências da Rússia nas negociações.

"O lado ucraniano tem as suas próprias posições. A única coisa que confirmamos neste momento é [o diálogo sobre] um cessar-fogo, a retirada das tropas russas e garantias de segurança de vários países", escreveu.

Podoliak acrescentou que os resultados das negociações só poderão ser uma realidade quando forem validados num diálogo direto entre os presidentes ucraniano, Volodymyr Zelensky, e russo, Vladimir Putin.

A França, que preside atualmente ao Conselho da União Europeia (UE), acusou a Rússia de "fingir negociar" um cessar-fogo enquanto prossegue a ofensiva militar na Ucrânia.

"A Rússia optou por continuar a utilizar as suas armas", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, numa entrevista ao diário Le Parisien, citada pela agência francesa AFP.

Le Drian disse que a atitude da Rússia na Ucrânia é idêntica à que usou em Aleppo (Síria) ou em Grozny (Chechénia).

"A lógica russa (...) baseia-se no tríptico habitual: bombardeamentos indiscriminados, os chamados 'corredores' humanitários concebidos para acusar o adversário de não os respeitar, e conversações sem outro objetivo que não seja o de fingir negociar", acusou o chefe da diplomacia francesa.

"É um processo dramático de brutalidade a longo prazo", afirmou.

Le Drian disse que o Ocidente continuará a "aumentar determinadamente as sanções" até Putin considerar que "o preço a pagar pela continuação do conflito é tão elevado que é preferível envolver-se num cessar-fogo e em verdadeiras negociações".

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro, numa ofensiva condenada pela generalidade da comunidade internacional.

A UE e vários países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Japão e a habitualmente neutra Suíça, impuseram duras sanções contra interesses russos, desde a banca ao desporto.

A guerra na Ucrânia, que entrou, esta quinta-feira, no 22.º dia, provocou um número por determinar de baixas civis e militares, além de mais de três milhões de refugiados, na pior crise do género na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

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